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Stiglitz

"Europa tem de perceber que a austeridade não é a resposta"

Eudora Ribeiro  
18/01/12 12:29

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O Nobel da Economia diz que não são os programas de austeridade que vão trazer a confiança de regresso aos mercados.

"A Europa não recupera da crise da dívida sem crescimento e a austeridade não vai trazer crescimento", afirmou Joseph Stiglitz ao falar na conferência da APED, em Lisboa. O Nobel da Economia em 2001 acrescentou que, por seu turno, "a confiança não vai ser restaurada sem crescimento", tal como se está a verificar em relação a países como Portugal e a Grécia, onde as políticas de austeridade para corrigir as contas públicas não estão a conseguir restaurar a confiança dos investidores. Para Stiglitz, isso acontece, precisamente, porque as medidas para corrigir os défices não fazem crescer as economias.

Para o economista, "falar em confiança não faz sentido a menos que haja políticas que vão nesse sentido e as políticas de austeridade não o fazem". Stiglitz admite que "não se pode ignorar o défice", mas critica o excessivo enfoque nos desequilíbrios das contas públicas.

"O enfoque apenas na austeridade não vai resolver os problemas", disse, tecendo críticas às decisões da última cimeira de líderes europeus de Dezembro, onde se sublinhou, uma vez mais, a importância da limitação dos défices até para evitar uma próxima crise.

Para Stiglitz, nesta altura ainda não se trata de pensar em evitar uma eventual futura crise, mas resolver a actual. "Nos últimos meses não se tem feito nem falado de mais nada do que de austeridade", apontou, adiantando que "na Europa, as coisas estão a ir na direcção errada" e que "a austeridade nunca resultou na resolução dos problemas económicos".

O Nobel da Economia em 2001 frisa que a a economia global está muito fraca e a Europa está em recessão. "Porque a austeridade penaliza o crescimento nunca ajuda tanto como esperado", visto que, apontou, tem-se o sector público a investir menos, tal como o sector privado.

Stiglitz critica corte nos salários e privatizações

Para Stiglitz, há alternativas à austeridade, como a subida simultânea de impostos e investimento público. Quanto ao enfoque nas reformas estruturais, o economista considera que também não deverão resolver os problemas da crise do euro nos próximos anos "porque levam tempo".

Além disso, o professor de Columbia nota que algumas reformas estruturais podem enfraquecer a economia ao penalizarem a procura, apontando, a este nível, a descida de salários. "Baixar salários durante uma recessão agrava a contracção da economia", frisou Stiglitz.

No mesmo sentido, Stiglitz também considera que as privatizações não são a melhor estratégia dos governos em alturas de recessão económica. "Recessões profundas não são a melhor altura para vender activos", frisou.

 





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