Mais Lidas
Comunidade
A moeda única europeia tem, nos últimos dias, mantido maior firmeza perante as moedas rivais, aguardando-se novidades a partir das importantes reuniões, tanto do Conselho Europeu (reunião dos Chefes de Estado ou do Governo da área do euro) de dia 23 de Outubro como da Cimeira do G20 de 3 e 4 de Novembro.
As expectativas são grandes pois ficou claro, depois do recente encontro entre a Chanceler Merkel e o Presidente Sarkozy, que neste período iriam ser apresentadas medidas de resolução definitiva da crise da dívida soberana que fustiga há tempo de mais a UEM. Apesar deste optimismo, o risco global não se desvaneceu por um lado, pela possibilidade de desilusão face aos resultados da cimeira de 23 de Outubro; por outro lado, porque as tensões nos mercados interbancários começam a fazer-se sentir na economia real, havendo instituições bancárias europeias que reportam dificuldade no processo de concessão de crédito à economia, o que pode ter consequências gravosas sobre o crescimento e emprego, sobretudo no caso de crédito a empresas.
De facto o ambiente financeiro melhorou, aliviando o cenário de forte aversão ao risco, perante a perspectiva de que sejam apresentados planos credíveis de ajuda ao sistema financeiro europeu e igualmente fomentadores de crescimento económico. De qualquer modo, o Presidente Trichet já se referiu à crise da dívida como sendo sistémica, sendo necessário o esforço de todos na resolução da mesma, nomeadamente ao nível da recapitalização da banca. Entretanto a Eslováquia acabou por aprovar a ampliação do FEEF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira), falhada a primeira votação no Parlamento, que levará a Eslováquia a contribuir com 7.72 mil milhões de euros (em vez dos 4.37 mil milhões previstos inicialmente) do total de capacidade de financiamento do fundo de 440 mil milhões de euros. Este apoio era fundamental para que este importante mecanismo de ajuda financeira a países do euro em dificuldades pudesse ser efectivo.
O EUR/USD encontra-se a ser transaccionado acima do patamar 1.38, quando há uns dias atrás se posicionava nos 1.31. Também as principais bolsas europeias registam uma dinâmica de curto prazo compradora, corrigindo importantes perdas acumuladas ao longo dos últimos meses.
Apesar desta expectativa generalizada, que deixa de certa forma os mercados em suspenso, têm sido também condicionantes as mais recentes informações de carácter económico-financeiro. Por exemplo, a agência de notação financeira Standard & Poor's cortou a avaliação de risco de 10 bancos espanhóis, sustentando a decisão com a deterioração da economia espanhola e em especial do mercado imobiliário. Para além do corte do rating, esta agência manteve a perspectiva de evolução (outlook) negativa. Entre os 10 bancos encontram-se as duas maiores instituições de Espanha - Banco Santander e BBVA - que viram a notação para a dívida de longo prazo descer de "AA" para "AA-". Várias Cajas de Ahorros e os bancos Bankinter e Sabadell viram a avaliação cortada de "A" para "A-". Esta decisão resultou do facto dos bancos espanhóis acumularem elevados níveis de activos problemáticos e estarem praticamente esgotadas as almofadas financeiras acumuladas. Em reacção, o prémio de risco exigido pelos investidores de dívida espanhola no mercado secundário, comparativamente ao benchmark (Bund alemão), subiu. Entretanto, próximo do final da semana, a Standard and Poor's reduziu também a classificação de rating do estado Espanhol, de "AA" para "AA-" para a dívida de longo prazo, citando o desemprego elevado, o aperto às condições de financiamento (crédito interno) e os elevados níveis de endividamento do sector privado. Esta medida induziu aumento dos prémios de risco dos títulos de dívida espanhóis e italianos, levando o BCE a intervir em mercado secundário.
Igualmente, o banco de investimento Goldman Sachs reduziu a avaliação de vários bancos europeus, dado o impacto do agravamento da crise de dívida soberana no custo do seu capital (nomeadamente da situação grega, pois um provável "haircut" acarretará perdas para os bancos com obrigações helénicas no balanço), sendo possível o surgimento de novas exigências para os bancos, no âmbito do plano de recapitalização que está a ser estudado pelos reguladores europeus. Os preços alvo futuros das acções de instituições financeiras de França, Reino Unido, Portugal, Grécia e Chipre foram revistos em baixa face às indicações anteriores.
Com relevância para o andamento da política monetária, pois discute-se a pertinência (e necessidade) de uma descida dos juros de referência do Banco Central Europeu, confirmou-se o valor da inflação homóloga na Zona Euro em Setembro, que subiu para 3.0% face aos 2.5% de Agosto (na União Europeia os preços no consumidor aumentaram para 3.3%). Este nível é a mais elevado desde Outubro de 2008. No conjunto dos países da União Europeia, as maiores taxas de inflação foram registadas pela Estónia (5.4%) e pela Lituânia (4.7%). Por sua vez, as taxas mais baixas foram apresentadas pela Irlanda (1.3%) e pela Suécia (1.5%). Os maiores contributos para esta taxa de inflação de 3.0% na Zona Euro, que supera os 2.0% desejados pelo Banco Central Europeu, foram dados pelos preços nos transportes (com um avanço de 5.9%) e no imobiliário (com 5.0%). Pelo contrário, as comunicações impediram uma maior subida, já que os preços recuaram aqui 1.9%. Em termos de variação mensal, o índice de preços no consumidor (IPC) na Zona Euro foi de +0.8%, tendo as novas colecções de vestuário e calçado justificado este movimento, com um avanço de 14,1%.
Para a semana as atenções deverão focalizar-se nos dados americanos da inflação de Setembro, do mercado imobiliário em termos de construção e venda de habitações, assim como da produção industrial e da capacidade de produção utilizada no mesmo período.
Notícias da mesma categoria
Disclaimer: "O Económico apela aos leitores para que utilizem este espaço para um debate sério e construtivo, dispensando-se, para o bem de todos, o insulto e a injúria gratuitos. Desaconselha-se o uso exclusivo de maiúsculas e a repetição de comentários. Comentários inadequados devem ser denunciados e quando tiverem mais de cinco denúncias serão eliminados. O IP do leitor não será revelado mas ficará registado na base de dados".
Publicidade
Acções do PSI 20





