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Delloite diz que "a estratégia e gestão hospitalares não são eficazes".
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Correira de Campos, Adalberto Campos Fernades e Pedro Pita Barros participaram num estudo que critica a gestão actual dos hospitais.
Mais de metade da despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ainda provém dos hospitais (52%). Uma realidade que deve ser alterada para garantir a sustentabilidade do sistema, conclui o estudo "Saúde em Análise - Uma Visão para o Futuro", apresentado hoje e a que o Económico teve acesso. "A sustentabilidade do sistema de saúde passa por uma diferente organização da prestação de cuidados", conclui o documento da autoria da Deloitte.
A análise, que conta com a opinião de várias personalidades do sector como o ex-ministro Correia de Campos, o antigo presidente do hospital de Santa Maria Adalberto Campos Fernandes e o economista Pedro Pita Barros, não poupa críticas ao actual modelo de gestão dos hospitais empresa (EPE).
"Apesar de, nos últimos anos, se ter procedido à empresarialização de grande parte dos hospitais, com o intuito de introduzir práticas de gestão empresarial e promover uma maior autonomia nestas unidades, a estratégia e gestão hospitalares não são eficazes, levando que muitos destes hospitais-empresa funcionem individualmente e de forma desarticulada", diz o estudo da Deloitte.
A consequência, conclui a consultora, "é um historial contínuo de resultados negativos" uma situação que se vai prolongando pela ausência de uma avaliação do desempenho e responsabilização das administrações.
Por outro lado, os hospitais são hoje "enormes" organizações "cujo foco estratégico deixou de existir", conclui a Deloitte, alertando que "não existe negócio que consiga sobreviver com tão grande dispersão de actividades e recursos".
O actual modelo de financiamento dos hospitais também levante dúvidas. O pagamento por acto médico pode levar os hospitais a optar por prestar cuidados de saúde mais diferenciados numa tentativa de captar mais financiamento, o que pode causar "graves desequilíbrios para o sistema de saúde".
No que respeita aos recursos humanos, "não existe ainda uma estratégia clara e bem definida" o que agrava as ineficiências existentes, pode ler-se no documento. O estudo aponta ainda para uma aplicação ineficiente do tempo dos médicos, para um desconhecimento das verdadeiras necessidades em saúde da população e para a escassez de gestores com uma verdadeira capacidade de gestão.
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