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Jorge Martins, presidente-executivo da Martifer admite ter encerrado o ano passado com prejuízos.
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A crise no mercado ibérico das construções metálicas vai obrigar a Martifer a encerrar a fábrica de Benavente.
O ano de 2011 será de prejuízos para a Martifer, com o solar a não compensar a quebra nas construções metálicas. Em entrevista ao Projecto Empresa do ETV, o presidente da comissão executiva, Jorge Martins, traça ainda perspectivas para 2012.
A fábrica de Benavente da Martifer Construções vai fechar em Agosto. A que se deve o encerramento?
A fábrica de Benavente dedicava-se aos mercados português e espanhol e estava preparada para responder ao programa de infraestruturas, como a terceira travessia do Tejo, TGV e novo aeroporto, entretanto cancelados. Actualmente, o mercado ibérico não têm significado, pelo que, com a entrada em funcionamento da fábrica do Brasil, não justifica manter a de Benavente. Estamos perante uma situação de excesso de capacidade num mercado que quase desapareceu e não apresenta sintomas de retoma a curto prazo.
A Martifer está a construir três estádios no Brasil e uma nova unidade industrial. A fábrica já está a funcionar?
O investimento está praticamente concluído. É na cidade de Pindamonhangaba, no estado de São Paulo. Era um investimento absolutamente necessário para responder à procura dos estádios e de outras infraestruturas no Brasil. O investimento total previsto é de 27 milhões de reais. Para já, está financiado com um mix de ‘equity'. Ainda estamos na fase de contratação de dívida senior, estamos com dívida de curto-prazo. Em 2012 estará negociada toda a dívida necessária para cobrir o financiamento da fábrica.
Como evoluiu o negócio das construções metálicas em 2011?
Foi particularmente difícil para a área das construções. Tivémos uma queda acentuada, reduzimos o volume de negócios. Mas esperamos recuperar já em 2012. Também fizémos um esforço de reestruturação da área eólica. O ‘cluster' industrial para a eólica teve de ser absorvido por essa área de negócio. O menor volume de negócios, e o aumento dos activos e custos, traduziu-se em resultados negativos no terceiro trimestre de 2011, que irão confirmar-se no final do ano.
O crescimento na área solar não vai ser suficiente para compensar a quebra nas construções metálicas?
Não totalmente, mas há uma forte compensação. A Martifer Solar tem um crescimento expressivo, como se pode ver pelas contas de Setembro, e que se irá confirmar no final do ano. A Martifer Solar adquiriu já uma dimensão forte que a coloca como a primeira área de negócio em termos de volume, tendência que se irá acentuar em 2012.
Haverá distribuição de dividendos relativamente a 2011?
O resultado negativo das construções é mais expressivo que o resultado positivo da solar. 2011 será um ano de resultados negativos, por isso não haverá dividendos. Os accionistas terão de ter paciência e esperar que 2012 possa demonstrar resultados positivos que permitram a distribuição de dividendos.
Quais as perspectivas para 2012?
O ano de 2012 é de excelentes perspectivas. O solar tem uma carteira de encomendas que lhe permitirá continuar a crescer. As construções, por força dos novos mercados que procurámos em 2011, também vai recuperar. Não pelo Brasil, mas também pelo mercado europeu.
Como vê a situação do País?
Com preocupação. A imagem de empresa portuguesa não ajuda muito na internacionalização que estamos a fazer. A partir do momento em que temos um ‘downgrade' do r'ating' da República e dos bancos, temos de procurar outras soluções. Gostaríamos de ver rapidamente Portugal recuperar o crescimento económico. Mas para isso temos de fazer mais e melhor. Estamos demasiado preocupados com as contas públicas e muito pouco preocupados com o crescimento e saúde do sistema financeiro português, que é importantíssimo para que esse crescimento económico seja retomado. As prioridades podiam ser outras. A primeira prioridade está a ser a ‘troika'.
Como é que a Martifer tem contornado o problema do financiamento para os investimentos que tem previstos?
Estamos numa procura constante de novas parcerias nos mercados em que estamos. A dimensão das operações estabelecidas nesses mercados já começam a dar-nos visibilidade suficiente para termos essas parcerias locais. Estamos a fazê-lo no Brasil.
O economista que pratica ioga
Jorge Martins, 45 anos, vive em Viseu com os cinco filhos, que têm entre dois e 18 anos. Passa metade do tempo fora de Portugal, em viagem pelos vários investimentos da Martifer na Europa, Brasil, Angola e Estados Unidos. É economista, formado na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, e tem um MBA tirado na Católica. Mas não é a gestão que lhe preenche os tempos livres. Prefere ler livros sobre espiritualidade e bem-estar, e pratica ioga sempre que pode.
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