Finanças

26/04/12 00:05

Estado ganha mais de 100 milhões com a ajuda aos bancos

Rui Barroso e Maria Ana Barroso

O Estado vai cobrar 8% de juros para entrar no capital dos bancos comerciais. Assim, vai lucrar 125 milhões de euros no primeiro ano da ajuda.

Estado ganha mais de 100 milhões com a ajuda aos bancos

O Estado deverá ter lucros acima de 100 milhões de euros com a recapitalização do sector financeiro logo no primeiro ano do apoio. Grande parte da injecção de capital do Estado na banca deverá ocorrer sob a forma de instrumentos de capital contingente (Cocos), tendo em conta a vontade já manifestada pelos bancos. No sector, são três - BCP, BPI e Banif - as instituições que vão recorrer à linha estatal dos 12 mil milhões.

Apesar de estes instrumentos não darem, no imediato, uma participação directa do Estado no capital, garantem que o Governo irá receber juros de cerca de 8% com o apoio ao reforço do ‘core tier 1' da banca, de acordo com o que noticiou na terça-feira o Jornal de Negócios.

Estes valores permitirão ao Estado lucrar 125 milhões de euros com a ajuda à banca logo no primeiro ano, tendo em conta a diferença entre os juros cobrados à banca e a taxa média cobrada pela ‘troika' no empréstimo a Portugal, que contempla uma fatia de 12 mil milhões de euros para recapitalizar a banca. Isto assumindo que não chegam a três mil milhões o montante total que BCP, BPI e Banif vão pedir ao Estado. A assistência da ‘troika' tem uma taxa média de 4,3%. Além disso, os juros cobrados pela ajuda terão um aumento de 0,25 pontos percentuais por cada ano que a ajuda se prolongar, ou seja, o encaixe para o Estado sobe com o tempo.

Dos bancos que sinalizaram que irão recorrer ao Estado, o BCP terá a maior factura. O banco deverá solicitar dois mil milhões de euros, o que implica o pagamento de juros de 160 milhões de euros só no primeiro ano. Já o BPI deverá ter encargos de cerca de 56 milhões, se se confirmar que ronda os 700 milhões o montante que irá buscar ao pacote de ajuda estatal. Quanto ao Banif, que não deve ir além dos 200 milhões em termos de dinheiros públicos, terá de suportar perto de 16 milhões de euros.

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