Mais Lidas
No barómetro deste mês o PSD duplica o peso do PS, o CDS cai e o Bloco está no valor mais baixo de sempre.
Nunca um Governo foi forçado a aplicar tanta austeridade em tão pouco tempo mas, até ver, os verdadeiros efeitos ainda estão para vir. A conclusão sai do barómetro deste mês da Marktest para o Diário Económico e TSF que aponta para uma subida do PSD de nove pontos entre Junho e Setembro (oito pontos face ao resultados das eleições), o que coincide com uma queda do PS de sete pontos percentuais face à última sondagem e de cinco pontos face às legislativas. O CDS fica-se por menos de metade do seu valor eleitoral (4%), enquanto o Bloco de Esquerda atingiu o valor mais baixo do histórico desta empresa de sondagens: apenas 2,7%. A CDU resiste nos 6,8% das intenções de voto.
Apesar dos primeiros 100 dias de mandato da coligação PSD/CDS, que hoje se assinalam, estarem marcados por consecutivos anúncios de austeridade - do corte no 13º mês, ao aumento do IVA no gás e electricidade, passando pelo aumento dos transportes públicos e pelo aumento do IRS e IRC para as empresas e os particulares que mais facturam -, aos olhos deste retrato do eleitorado ainda existe estado de graça.
Todos os partidos perdem peso, à excepção do PSD que lidera o XIX Governo constitucional o que para Pedro Adão e Silva, politólogo no ISCTE, tem uma explicação: "O PSD só será penalizado quando a austeridade anunciada começar a ser sentida na vida das pessoas".
O trabalho de campo foi realizado entre os dias 20 e 23 e já incorpora o buraco de 1,6 mil milhões de euros detectado na Região Autónoma da Madeira e a entrevista do primeiro-ministro, à RTP, em que prometeu não dar margem ao despesismo de Alberto João Jardim e admitiu que Portugal pode necessitar de um segundo resgate caso a Grécia entre em ‘default'.
O PSD alcança nesta sondagem 47,1% de intenções de voto, o melhor resultado dos últimos sete meses, enquanto o PS, já liderado por António José Seguro, cai dos 30,1% (início de Junho, antes das eleições legislativas) para os 23,3% - o resultado mais baixo desde Setembro de 2007. Na verdade, a popularidade dos líderes dos dois principais partidos acompanha a tendência das intenções de voto (ver texto ao lado), embora seja de registar que ainda não existe uma opinião formada sobre Seguro - praticamente metade dos inquiridos não sabem ou não respondem quando questionados sobre o desempenho do líder da oposição. Para Pedro Adão e Silva estes números da Marktest provam que "as pessoas não estão nada interessadas em cenários de instabilidade política, reforçaram a confiança em quem ganhou eleições e penalizam o PS pela situação económica, financeira e social independentemente da mudança de liderança - a marca PS sobrepõe-se à do novo líder". Já João Cardoso Rosas, professor da Universidade do Minho, realça o contraste com a Grécia: "Christine Lagarde pedia no último encontro do FMI que as maiorias sociais acompanhassem os duros plano de austeridade e, aqui, nota-se que as pessoas interiorizaram que não há alternativa, porque a situação é muito difícil". Se nas ruas gregas continuam a contestação à austeridade, em Portugal há um "apoio esmagador" tendo em conta esta sondagem.
O CDS sofre, como aconteceu no passado, em 2002, com a sua participação num Governo como segunda força política. Impedido de "ganhar pontos" na oposição e no confronto directo com a governação, o partido de Paulo Portas caiu de 9,7% em Junho (11,7% nas eleições de 5 de Junho) para apenas 4% em Setembro - o valor mais baixo dos últimos 42 meses. Ainda assim, se olharmos para o peso eleitoral da coligação PSD/CDS, partidos que representam o centro-direita, este se mantenha acima dos 50% das intenções de voto o que, diz Adão e Silva, "prova que quando a austeridade começar a ser sentida o PSD cairá e o CDS beneficiará".
À esquerda do PS, a CDU segura o seu eleitorado e, perante o crescimento da direita, mantém-se nos 7%, superando em mais do dobro o falar do Bloco de Esquerda. Nas últimas eleições legislativas os bloquistas já tinham alcançado apenas 5% dos votos, agora, em Setembro, as intenções de voto caem para praticamente metade desse valor - apenas 2,7%.
Perante as perguntas da Marktest, 22% dos inquiridos optaram por "não sabe", 10% pelo "não voto" e 9% por "não responde".
Ficha técnica
A sondagem da Marktest para o Diário Económico e TSD realizou-se nos dias 20 a 23 de Setembro para analisar as intenções de voto e a popularidade dos protagonistas políticos. O universo é a população de Portugal Continental com mais de 18 anos que habite em residências com telefone fixo. A amostra, constituída por um total de 804 inquiridos, foi estratificada por regiões: 157 Grande Lisboa, 88 Grande Porto, 131 Litoral Centro, 156 Litoral Norte, 180 Interior Norte e 92 no sul.; 426 a mulheres e 378 a homens; 247 a indivíduos dos 18 aos 34 anos, 278 dos 35 aos 54 e 279 a mais de 54 anos. A escolha dos lares foi aleatória. Intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 3,46%. Indecisos redistribuídos de forma proporcional aos que declararam sentido de voto. Taxa de resposta 24%.
Notícias da mesma categoria
Disclaimer: "O Económico apela aos leitores para que utilizem este espaço para um debate sério e construtivo, dispensando-se, para o bem de todos, o insulto e a injúria gratuitos. Desaconselha-se o uso exclusivo de maiúsculas e a repetição de comentários. Comentários inadequados devem ser denunciados e quando tiverem mais de cinco denúncias serão eliminados. O IP do leitor não será revelado mas ficará registado na base de dados".
Publicidade
Acções do PSI 20





