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Dentro de uma década, "quando os maiores problemas económicos estiverem resolvidos e a sociedade mais desigual", a esquerda vai voltar ao poder, embora se debata com grandes desafios, afirmaram dois politólogos, um alemão e outro britânico.
Em dez anos, "quando os maiores problemas económicos estiverem resolvidos e a sociedade ainda mais desigual, as possibilidades para a esquerda [voltar ao poder] não são assim tão más", acredita Wolfgang Merkel, investigador do Social Science Research Center (Alemanha).
Fazendo uma prospetiva da cena política a cinco ou dez anos, Merkel acredita que a Europa tem "uma boa oportunidade de sair da crise", embora reconheça que "os custos sociais vão ser altos e [que] o seu peso vai cair sobretudo nas classes mais baixas".
Luke March, professor da Universidade de Edimburgo (Reino Unido) concorda. Daqui a cinco a dez anos, "a esquerda vai estar ainda mais dentro do jogo do que agora" mas debate-se com uma série de desafios, alerta.
Em declarações à Agência Lusa, o investigador reconhece que "o argumento de como lidar com a crise tem sido ganho pela direita" até porque "as pessoas percebem que há grandes dívidas" que têm de ser pagas. Neste aspecto, prossegue, o problema dos partidos de esquerda é que "a maioria dos seus programas são para gastar mais através do Estado". Ora, "numa altura em que os Estados devem um elevado montante, como é que isso se justifica?", interroga.
O alemão Wolfgang Merkel estima que, em resultado da crise financeira internacional, as classes média e baixa vão afastar-se da política e perder rendimentos, ao mesmo tempo que o Estado social vai encolher.
Serão tempos ainda mais difíceis para as classes na base da pirâmide social: "Aqueles que já não estão a votar são da classe baixa, não são os que têm educação e rendimentos elevados. Por isso, a democracia direta está a tornar-se cada vez mais uma democracia a 50%, [que] exclui as classes baixas", alerta.
Face a este cenário, cabe aos partidos de esquerda pugnar por "um Estado que ajude a desenvolver as capacidades dos indivíduos", defende o politólogo, que sublinha que não tem "qualquer relação familiar, ou tão pouco política", com a chanceler alemã, sendo o apelido "a única coisa em comum" com a outra Merkel.
Os investigadores estiveram quinta-feira em Lisboa para participar na conferência "A esquerda europeia: conquistas, falhanços e desafios", que decorreu no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Lisboa. O evento foi organizado pelo Departamento de Ciência Política e Políticas Públicas do ISCTE,
pela Fundação Friedrich Ebert e pela Cavalo de Ferro Editores.
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Comentários (65)
"tenho votado nos partidos mais à esquerda, não por gostar particularmente das suas ideias, mas por serem quem tem gente mais séria e verdadeira" Esta parte do teu comentário b0rr0u a pintura toda, esquerda é constituída basicamente por gente que nunca fez nada da vida e aliás, como se tem visto, quando estão no poder é rapar o tacho até ao fundinho...
... e depois voltamos ao mesmo. A esquerdalha dá cabo do país e os de direita dão cabo de nós para voltar a por isto direito.- é um ciclo....
eu tenho memória: ps, psd e pp não fizeram nada nos últimos 20 anos que mereça o meu voto.
sou contra a enorme dívida do país, que resulta em subida de juros e de impostos e de resgates da troika, logo sou contra o ps.
sou contra os gastos em luxos em tempo de crise, logo sou contra o cds-pp.
e sou contra a desigualdade na sociedade pois acho que enquanto existir quem recebe €300 de reforma, não deve existir ninguém a receber mais de €1500, logo sou contra o psd.
se ninguém com quem falo é capaz de me dar uma justificação válida para votar neste 3 partidos (reles maçonaria disfarçada), como é que se explica que 40% dos eleitores ainda votem neles?
e se precisamos lutar por nós, como se explica que 50% dos eleitores não votem em ninguém e só 10% votem nos partidos alternativos?
conclusÃo: a esquerda não vai voltar ao poder, vamos é ver o nascimento de um partido centralista formado por gente séria que vai trazer ideias de ruptura e será o princípio do fim do ps, psd e pp.
tenho votado nos partidos mais à esquerda, não por gostar particularmente das suas ideias, mas por serem quem tem gente mais séria e verdadeira. mas se o tal partido que falei não aparecer nos próximos 4 a 8 anos, também eu deixo de votar, não por me tornar abstencionista, mas simplesmente porque sairei deste país e deixar-vos-ei entregues à vossa própria estupidez!!!
MS,
nao defenda o seu clube, ou quer tapar os olhos às nomeaçoes deste governo??
tem 100% de razão e só os idiotas que não aprendem com a história acham o contrário
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