Venho falando, desde há muito, de crescimento económico e da necessidade de superação do foco exclusivo na austeridade. Isto não é o mesmo que sustentar - e há muitos que o confundem, propositada ou inadvertidamente - que a austeridade não é necessária ou já é suficiente.
Sejamos claros: sem a austeridade e o reequilíbrio das finanças públicas não haveria nunca condições para retomar o crescimento económico e para relançar a Eeconomia. Deixemos Vitor Gaspar fazer o seu trabalho, mas não esqueçamos nem desresponsabilizemos Santos Pereira: é a este ministro, como afirmei já publicamente, que "compete" animar a economia e criar emprego.
Neste contexto, e enquadrado agora por um consenso europeu já amplo sobre a necessidade de medidas que estimulem o crescimento, cumpre-me dar conhecimento de um documento importantíssimo, elaborado pelo European Round Table of Industrialists, uma organização de líderes empresariais da Europa, que empregam mais de 6 milhões de pessoas e cuja vocação é justamente promover o crescimento económico, a concorrência, a inovação e o empreendedorismo.
O documento em questão, que data de Maio passado, chama-se Backbone of Growth e contém as principais propostas desta organização - que as levou já ao conhecimento dos líderes políticos europeus - para integrar o que designa, numa expressão especialmente feliz, por "espinha dorsal do crescimento".
A Confederação dos Serviços de Portugal subscreve integralmente estas propostas, que apontam no sentido correcto na intenção e no conteúdo, e por isso as deixo a seguir elencadas. Espero com isso provocar alguma reflexão por parte do leitor e despertar a sua curiosidade para saber mais e conhecer este documento em detalhe, o qual se pode encontrar no website http://www.ert.eu/.
1. Aprofundamento do Mercado Único, designadamente no que respeita ao sector dos serviços; 2. aumento da competitividade das empresas europeias, com especial incidência sobre o alívio dos custos de contexto; 3. melhoria de acesso a financiamento; 4. garantia de fornecimento energético sustentável e a custo razoável; 5. aumento da flexibilidade do mercado de trabalho e ênfase na formação ao longo da vida; 6. investimento na força de trabalho do futuro, através do reforço dos sistemas de educação, no sentido de melhor prepararem e promoverem o contacto e a entrada dos jovens no mundo do trabalho; 7. aposta na I&D e na Inovação como motores do desenvolvimento sustentável; 8. Investimento em infra-estruturas potenciadoras de crescimento, como a banda larga; 9. reforço do papel do comércio internacional enquanto factor indutor de crescimento; 10. promoção da utilização eficiente de recursos na Europa.
Tenho esperança que este documento e as propostas nele concretizadas possam servir de inspiração e de mote a uma discussão aprofundada sobre o necessário crescimento económico.
Luís Reis, Presidente da Confederação dos Serviços de Portugal
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