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"Espero que Sócrates continue a ter a energia para mobilizar o país"

António Costa  
07/08/09 00:10


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Numa entrevista exclusiva ao Diário Económico, Luís Figo fala dos seus negócios, da situação do país e faz uma "avaliação muita positiva" do trabalho do Governo de Sócrates nos últimos quatro anos.

O Luís Figo é uma marca mundial. O país tem aproveitado bem essa marca?
Poderíamos ficar aqui horas a falar sobre isso... Eu tenho a sorte de praticar um desporto popular, que mobiliza milhões e que chega a todo o mundo, tenho também a sorte de ser conhecido em todo mundo, mas não falo no meu caso particular. Realmente, poderíamos associar os nossos melhores produtos, aquilo em que somos fortes, à imagem do país. Acho que isto poderia ajudar a mostrar o país, mas acho que, muitas vezes, não há uma estratégia de divulgação daquilo que fazemos bem. Poderíamos chegar ao consumidor internacional de forma muito mais eficaz se houvesse uma estratégia de publicidade e marketing correcta. Muitas vezes, aposta-se em outros caminhos, as vezes até em personalidades estrangeiras. De qualquer maneira, lembro-me de que no ano passado, salvo erro, houve uma primeira campanha de divulgação internacional dos nossos valores, como a Marisa, a Joana Vasconcelos, etc. Acho que foi uma boa iniciativa que devia ser repetida mais vezes.

Que apostas deveriam ser feitas?
Uma das apostas de futuro do país e do seu desenvolvimento deve ser claramente nos nossos produtos e nas nossas pessoas, no vinho do porto, na cortiça, no turismo, nas energias renováveis. Temos de enaltecer e publicitar de forma mais agressiva o que temos e fazemos, mas fora do país, porque cá dentro nós sabemos o que temos e fazemos. Portugal pode equiparar-se a Espanha ou a Itália, podemos oferecer tudo o que os outros oferecem.

Como é que vê hoje o país?
Portugal tem feito um caminho... foram feitos investimentos importantes em infra-estruturas nos últimos anos, a aposta nas energias renováveis é também muito importante, hoje e no futuro, mas acabámos por ser apanhados pela turbulência do sistema financeiro que abalou o país. Mas, acho que, pouco a pouco, o país tem feito um caminho de desenvolvimento, por exemplo na educação e nas novas tecnologias, por isso, parece-me que este trabalho tem de ser continuado nos próximos anos...

Faz uma avaliação positiva deste governo?
Ainda há muita coisa a fazer, mas, visto de fora, faço uma avaliação muita positiva do trabalho deste Governo nos últimos quatro anos. No momento em que estamos com as eleições à porta, é preciso garantir a estabilidade e continuidade das decisões que foram tomadas, para que a entrada de um novo governo não signifique que se começa tudo outra vez do início. Não é positivo para o país estar sempre a mudar de rumo e de opções e é sempre necessário algum tempo para as coisas produzirem efeitos.

No seu entender, era desejável que o actual governo ganhasse as eleições legislativas?
A implementação de algumas opções políticas não se faz em quatro anos. As pessoas também têm a consciência que algumas das opções foram erradas, porque ninguém é perfeito, mas, havendo mais quatro anos de governação, esses eventuais erros podem ser corrigidos. Aliás, sou defensor de governos com dois mandatos para podermos avaliar a governação.

Fica claro em quem vai votar no dia 27 de Setembro...
Sempre votei em pessoas e não em partidos políticos. Eu vejo a energia de José Sócrates, a capacidade empreendedora, e espero que continue a ter essa capacidade de mobilizar o país. Bem precisamos!

O que é deve ser, para si, uma prioridade do próximo Governo?
O desemprego é o nosso maior problema hoje, e temos de garantir que o país se desenvolve para diminuir essa taxa de desemprego. É verdade que é um problema mundial com a actual crise, mas isso não diminui a responsabilidade do Governo. Depois deve apostar em cursos profissionalizantes, em vez dos habituais. São esses cursos que podem dar as melhores ferramentas as pessoas que querem trabalhar, os cursos clássicos não tem saída. Temos demasiados doutores, e cada vez mais desemprego. É preciso mudar de mentalidades, não temos todos de ser doutores, temos é de fazer bem aquilo que sabemos fazer! Em termos de prioridades, o foco deve ser o aumento do salário mínimo. O caminho que foi feito foi positivo, mas temos de continuar a aumentar aqueles cujos salários são mais baixos. Isso vai, de certeza, ajudar a economia, porque as pessoas têm mais capacidade para consumir, além de contribuir também para credibilizar os órgãos políticos aos olhos dos cidadãos, porque as pessoas estão a deixar de acreditar nos políticos e no que dizem. É uma questão, se quiserem, de justiça social. Depois, como já disse, é preciso apostar naquilo em que somos bons, incentivar a exportação desses produtos, além de melhorar, pouco a pouco, os pontos mais focados pelos cidadãos, boas condições de acesso à saúde e à educação. Por exemplo, é necessário ajudar as famílias numerosas.

Fundação Luis Figo ainda à espera do estatuto de utilidade pública

Luis Figo tem outra prioridade na sua vida, a Fundação que tem o seu nome. "Olhe, a fundação foi criada em 2003, mas ainda não temos o estatuto de utilidade público, por isso, não se pense que fizemos a fundação por razões de ordem fiscal. Nos primeiros cinco anos, tivemos vários mecenas, a começar por mim, que sou o presidente da Fundação, a Coca-Cola, o BPN e a Galp, esta última, como parceira não-financeira, e nenhum de nós teve qualquer tipo de benefício".

Os projectos que a fundação desenvolveu nos últimos anos enchem-no de orgulho, que se percebe em cada palavra. "Com um esforço financeiro destes mecenas, começamos com um projecto de apoio a jovens de diferentes modalidades, ténis, motor e atletismo, e com o jogo anual All Stars, que continua e é a principal fonte de receita da fundação".

"Hoje, apostámos em quatro eixos: saúde, desporto, educação e esperança, cada um deles com projectos próprios, financiados pelos orçamentos dos primeiros cinco anos da fundação e que corresponderam também ao período de contrato dos mecenas. Agora, o momento não é o melhor nem o mais adequado para arranjar novos parceiros financeiros, mas vamos utilizando as receitas desse jogo anual para garantir doações necessárias a várias instituições, desenvolver novas iniciativas".

Figo garante nter uma preocupação: "O mais importante é sermos credíveis porque os portugueses são muito disponíveis para ajudar e apoiar os que estão em situação difícil, mas querem saber de que forma o seu dinheiro é utilizado. E isso é muito importante para nós. Também por aquilo que já fizemos, hoje é mais fácil seduzir as empresas numa lógica de parceria. Além disso, a fundação tem um objectivo que é criar condições para o desenvolvimento e não simplesmente distribuir dinheiro. Há aquele célebre ditado chinês: mais importante do que dar o peixe, é ensinar as pessoas a pescar. É isso que tentamos fazer na Fundação".

Mais entrevista...

 


Comentários

Carlos, Lisboa | 07/08/09 11:25
Oh Figo, estás mesmo a precisar de descansar, quando dizes uma coisas destas. Este governo é dos mais caricato e perigoso para o país desde o 25 de Abril. Pior, só o governo do camarada Vasco Gonçalves!


vg, | 07/08/09 11:46
So um tipo que "pensa" com os pés ,diria isto..


quim, | 07/08/09 11:52
Dão tempo de antena ao fugo para falar de politica e depois é isto!


JJC, | 07/08/09 11:56
Um dos jogadores de futebol mais inteligentes, mostrou-se à altura nesta entrevista...muito bem.


simon, Braga | 07/08/09 12:05
Bem se vê que o Figo é milionário, que tem vivido na estranja e não passa do zé amansado e domesticado na padrada, como a maioria.


Filipa, | 07/08/09 12:19
Não porque insistem em culpar o governo da crise mundial, se fosse outro governo a crise teria passado ao lado do nosso país?


Zé Cardoso, | 07/08/09 12:30
Apesar de tudo vale mais o "Trócaste", do que a "Azéda o Leite". Mal, por mal, embora eu não vote em nenhum deles, não vou pactuar mais com corruptos, mentirosos e interesseiros. Eles, que para mim são iguais, são os verdadeiros culpados do descalabro do país. por isso há que mudar as moscas!


Rui, Lisboa | 07/08/09 12:37
Caro Figo, como figura nacional que és devias informar-te melhor sobre o que são os problemas reais das pessoas, que no seu dia a dia sentem as dificuldades no corpo, pensando como é que vão chegar ao fim do mês com algum dinheiro. Este governo quer endividar o país com TGV's e aeroportos em vez de tratar de resolver os problemas do desemprego e dos recibos verde. Saberás tu, Figo milionário, que existem 2 milhões de pobres em Portugal e outros tantos acima da linha de água?! Falar em TGV's e auto-estradas aonde não circula ninguém, como investimentos de futuro é uma afronta a quem trabalha e tem de gerir o orçamento mensal para poder comer todos os dias.


PP, | 07/08/09 12:43
Só mesmo neste país... só faltava uma abecula que tem a 4classe opinar sobre o deverá ser o futuro do país!!! Oiçam-no e fiquem mais burros!


Maria, | 07/08/09 12:50
Figo é uma pessoa inteligente. Sempre se diferenciou por isso, em relação ao seu meio, o futebol.
As análises que faz, mostram isso mesmo.
Parabéns Figo, e parabéns a nós portugueses, por termos um representante de tão alto nível.


Orlando Cardoso, Porto | 07/08/09 12:53
Concordo que é essencial o Governo manter-se. Apesar de todo o marketing negativo recente contra o Governo atraves de interesses instalados, se não fosse a crise internacional o problema do defice estaria bastante melhor. Espero que Socrates mantenha a energia positiva para o Pais.


alfredo domingues, V.N:Gaia | 07/08/09 13:08
Luis Figo, realmente como se nota que anda no portugal da fantasia, da publicidade e da propaganda,aquilo que o nosso primeiro ministro tem feito nestes 4 anos, o portugal real é bem diferente..
Aceite este humilde conselho aplique as suas energias e fama de forma isenta e por merito propio , para continuar a ser um exempo a seguir pelos mais jovens.
Nao ande dar piscadelas de olhos! para presidente da federação! coincidencia ou nao???


cdr, lisboa | 07/08/09 13:27
Um homem que sempre foi honesto e trabalhador.
Parabéns Luis Figo.


Penso!!!!!!!, | 07/08/09 13:28
Penso, logo concluiu!
Este também deve de estar à espera de uma ajudinha do Pinóquio para a sua fundação e outras coisas mais!
Luís Figo, não precisas diste tipo de coisas!!!
Estas declarações da tua parte são más demais, só podem ser encaradas por estares mais tempo fora de Portugal do que outra coisa e não saberes do que se passa por cá!!!
Sem mais comentários.


Coemdador Desempregaso, | 07/08/09 13:36
Está a arrojar a asa para substituir o Madaíl ! E não disfarça...


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