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Para o presidente do Santander Totta, Nuno Amado, é urgente baixar a despesa pública.
Comunidade
Presidente do Santander Totta defende que o PEC pode e deve ir mais longe e diz que culpar os especuladores é um discurso fácil.
Nuno Amado não tem dúvidas. Por mais que estejamos a ser vítimas da especulação, somos os grandes responsáveis pela vulnerabilidade em que nos encontramos. Numa entrevista concedida num momento sensível para o País, o presidente de um dos maiores bancos nacionais pede que, em vez da vitimização, se actue com rapidez, pragmatismo e com medidas mais ambiciosas, que resolvam as fragilidades da economia e retirem Portugal dos holofotes dos especuladores.
Em que situação se encontra a economia nacional e o país, depois do corte feito terça pela S&P para o nível mais baixo alguma vez atribuído a Portugal?
Esta classificação de ‘rating' é um facto grave e não adianta lamentarmo-nos. O que há a fazer é utilizar este momento de verdadeiro desafio nacional, para trabalharmos todos para reverter esta tendência insustentável do crescente endividamento através de medidas e reformas. A economia nacional sofre de um problema grave que é o seu excessivo endividamento externo. As famílias não poupam o suficiente, as empresas têm de se virar mais para a exportação e a despesa pública tem uma fraca produtividade. Temos de cortar realmente na despesa pública! Sem isto não vamos lá e a situação é incomportável. Os juros da dívida acumulam e já devíamos estar, há um par de anos, a inverter esta situação de desequilíbrio financeiro.
A S&P manteve o ‘outlook' negativo por recear que a existência de um governo minoritário torne difícil a aprovação das medidas necessárias. O que é que, enquanto banqueiro, defende que deve ser a resposta da classe política?
É hora dos principais partidos políticos actuarem de forma consensual e, em conjunto, apoiarem as medidas difíceis e que contribuam efectivamente para a resolução dos problemas de base. O que se passou na quarta-feira com o entendimento entre os líderes dos dois principais partidos políticos foi um passo muito positivo neste sentido.
A nossa economia está em risco de bancarrota, ou estamos a ser vítimas da especulação?
A nossa economia não está em risco de bancarrota e estamos a ser vítimas de especulação, mas esse não é o factor-chave. As entidades que se endividam no exterior - Estado, bancos e principais empresas - têm individualmente solvência para fazer face às responsabilidades. Agora, pôr a responsabilidade nos especuladores ou nas empresas de ‘rating' é um discurso fácil. Não somos coitadinhos. Temos fraquezas que temos de ultrapassar. Temos de fazer o trabalho que ainda não fizemos. Temos de aumentar a poupança, fomentar a exportação, aumentar a competitividade, reduzir a rigidez dos factores de produção e apostar em sectores-chave como o mar, a floresta ou o turismo. Esse é um problema nosso. Não é dos especuladores. Se contribuirmos para a resolução dos nossos problemas, os especuladores vão perder muito dinheiro. Só ganharão se nós não fizermos o nosso trabalho de casa.
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