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Os números do desemprego “vão ainda aumentar com algum significado”, diz Ulrich.
Preocupa-o haver alguma descoincidência entre o Presidente da República e o Governo sobre as medidas de austeridade?
Não! As missões e as responsabilidades de um e outro são muito distintas. Actuam e funcionam em planos completamente diferentes. Não estou permanentemente a ver se aquilo que o primeiro-ministro diz é exactamente igual ao que diz o Presidente e vice-versa. Nem me ocorre essa leitura. O que penso é que o Presidente entenderá que é sua missão dar voz aos anseios de muitos portugueses e, em particular, às preocupações e sofrimento dos mais desprotegidos. É nesse sentido que entendo os comentários que tem feito, quer no Governo anterior, quer neste.
António José Seguro e o PS estão certos neste permanente dizer que "o Governo vai para além da ‘troika'"?
Bom, eu não sei o que o líder da oposição deveria fazer neste momento. Tem um papel muitíssimo difícil e pouco espaço de manobra e, como tal, não me choca essa posição vinda do líder de um partido que está à esquerda da actual coligação no poder. Penso, aliás, que ele tem sido bastante sensato, ponderado e responsável.
Se Cavaco e Seguro estão certos, se o PC e o BE são "razoáveis", se aplaude o Governo, não há razões de queixa da política?
Exactamente. Não há. Ao contrário de muitas épocas da nossa vida, em que andávamos sempre a dizer mal dos políticos e a queixarmo-nos da política, confesso que, neste momento, não consigo criticar os políticos que aí estão e ainda menos diabolizá-los.
Há pouco, não quis isolar o titular das Finanças do resto do Executivo. O momento recomenda que se evoque o Governo como um todo?
O que quis dizer foi que há duas peças fundamentais, o primeiro-ministro e o ministro das Finanças, a quem cabe a responsabilidade de assegurar a coerência de todo o programa e a disciplina da sua execução. São ambos centrais. Mas não quero deixar de referir o líder do outro partido, o dr. Paulo Portas. A impressão que tenho, olhando para "lá", é que a coligação tem funcionado bem, com harmonia... Aliás, se assim não fosse, talvez não estivéssemos aqui hoje os dois, a falar de tudo isto.
Embora pela sua natureza a pasta dos Estrangeiros afaste o seu titular da centralidade dos palcos nacionais, gostaria de ver Paulo Portas mais presente na vida nacional, de o ouvir ou ver mais?
Não. Parece-me bom que o ministro dos Negócios Estrangeiros esteja muito proactivo no seu posto, cumprindo as suas responsabilidades: a frente internacional é neste momento absolutamente crucial para Portugal.
Conversando consigo nota-se um estado de espírito, não diria optimista, nem deitando foguetes antes da festa, mas positivo e enérgico. É assim?
Sim... é positivo mas quero sublinhar algo que muito me surpreendeu e por isso muito me preocupa: espantou-me que o desemprego tivesse alcançado um nível já tão alto! Esperava que esta barreira fosse ultrapassada mais lá para o fim do ano, ou no próximo. Numa fase em que estivéssemos mais perto de começar a virar o ciclo. Estou muito preocupado, penso que esses números vão ainda aumentar, com algum significado. Vai-nos exigir ser ainda mais proactivos para conseguir ir além das receitas tradicionais. Isto dito, terei que acrescentar que estou bem mais confiante e mais positivo do que estava há seis meses. Sem sombra de dúvida!
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