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Análise

Espanha só aguenta até Novembro sem pedir resgate

Eudora Ribeiro  
19/06/12 16:25


Com base nos precedentes da Grécia, Irlanda e Portugal, o Rabobank prevê que Espanha aguente, no máximo, 5 meses sem ajuda.

Os analistas do Rabobank antecipam que Madrid pode aguentar sem pedir ajuda durante um intervalo de tempo que oscila entre algumas semanas e os cinco meses, com base nos precedentes da Grécia, Portugal e Irlanda.

Os especialistas explicam que o número de dias que os três países demoraram a pedir assistência internacional oscilaram entre algumas semanas, no caso da Irlanda e da Grécia, e os cinco meses para Portugal.

Todos os pedidos de ajuda verificaram-se depois de os juros das obrigações a 10 anos terem superado os 7% no mercado secundário, considerado um nível insustentável no médio prazo e uma barreira ‘sem retorno'. Recorde-se que no caso português, o juro a 10 anos superou os 7% pela primeira vez em Novembro de 2010 e o pedido oficial de ajuda internacional chegou em Abril do ano seguinte, na altura pela voz de José Sócrates.

Numa nota de análise citada pela Bloomberg, os especialistas do Rabobank explicam que o tipo de contágio no caso espanhol se assemelha à Irlanda, onde o sector bancário foi o canal de contágio primário.

Os mesmos peritos indicam ainda que apesar de Espanha poder aguentar mais tempo do que a Grécia e a Irlanda sem pedir uma assistência internacional - mais abrangente do que a mera ajuda aos bancos -, o país liderado por Mariano Rajoy assemelha-se mais àqueles dois países do que a Portugal, que conseguiu resistir durante um período mais longo sem pedir ajuda devido à ausência de uma crise bancária.

Esta previsão do Rabobank surge depois de o Tesouro espanhol ter vendido hoje 2,4 mil milhões de euros de títulos de dívida a 12 meses com um juro recorde de 5,074%, e 639,3 milhões de euros em obrigações a 18 meses com uma taxa de 5,107%.

O Rabobank recorda que, comparativamente, Portugal e Grécia pagaram um juro de 3,834% e 4,85%, respectivamente no último leilão a 12 meses que realizaram antes de pedir assistência internacional.

Os especialistas da casa de análise indicam que estas ‘yields' elevadas não ajudam nada a atenuar a especulação de quanto tempo Espanha vai conseguir manter-se sem pedir um resgate e alertam que os resultados do leilão de hoje constituem um precedente negativo para os leilões a 2, 3 e 5 anos, que o Tesouro espanhol vai realizar esta quinta-feira.

"Estas ‘yields' decididamente elevadas deixam em aberto a questão da sustentabilidade das contas públicas espanholas ao mesmo tempo que não fazem nada para aliviar a especulação sobre quanto tempo o país poderá aguentar antes de solicitar um resgate mais global", escreveu Richard Mcguire, gestor de obrigações de taxa fixa no Rabobank, numa nota aos investidores. "Não é certamente um precedente favorável para os leilões espanhóis", acrescenta.





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