O novo ministro da Economia que já noutro artigo e com gosto elogiei pelo excelente trabalho desenvolvido na sua anterior pasta, tem agora pela frente vários e árduos trabalhos...
O novo ministro da Economia que já noutro artigo e com gosto elogiei pelo excelente trabalho desenvolvido na sua anterior pasta, tem agora pela frente vários e árduos trabalhos o menor dos quais não será, certamente, a aposta ainda mais incisiva, determinada e, infelizmente crucial, na internacionalização da nossa economia.
Há no programa do Governo algumas ideias interessantes neste domínio e que têm em vários casos como elo de ligação a necessidade, não sublinhada, mas imperiosa para se ser eficaz, de se fazerem escolhas.
O desenvolvimento da internacionalização abrange, simplificadamente, três dimensões: mercados, sectores e empresas e em todas é necessário fazer escolhas. Que novos mercados se devem explorar, que sectores devem ser prioritários, que empresas devem ser mais apoiadas. A universalidade e a abrangência, significam, regra geral enorme desperdício de recursos e reduzida eficácia das medidas.
Tomemos os novos mercados, por exemplo. O programa do Governo aponta como referência de novos mercados em que se deve apostar os países do Magrebe, da América do Sul, os PALOP e os países do Golfo. São mais de 20 países com características, oportunidades e enquadramentos políticos, económicos e sociais muito diversos. Esta aposta requer investimento relevante na nossa presença (embaixadas, delegações da AICEP, etc.), na actuação pragmática e visível da diplomacia económica, na concertação com empresas nacionais que já operam nesses mercados ( efeito rede e fonte de ‘business intelligence'), na descriminação positiva de instrumentos financeiros de apoio, apenas para referir alguns aspectos. E para que haja eficácia na articulação destes diferentes vectores de actuação são provavelmente países a mais ou, deverão ser objecto de uma segmentação níveis de prioridades, dito de outra forma, há que fazer escolhas.
E constata-se que, continuando a usar o mesmo exemplo dos novos mercados, que para além dos habituais e já cansativos lugares comuns, há muito pouca discussão e debate sério e aprofundado, com raríssimas excepções, em fóruns empresariais, académicos ou da esfera governamental. E é pena, pois, há ainda toda a margem para não se cometerem erros, nem se concretizarem acções inconsequentes, nem se desperdiçarem recursos escassos. É esta cultura de análise, discussão e avaliação, num quadro sereno, politicamente menos colorido e envolvendo todos os interessados, que conduzirá também ao desenvolvimento de uma cultura selectiva de escolhas e opções. Sem este quadro de referência que guie os passos e acerte as convergências necessárias, passaremos provavelmente ao lado de oportunidades que outros, melhor organizados, preparados e focalizados certamente não desperdiçarão.
____
António Gomes da Mota, Professor da ISCTE Business School
Comentários
Publicidade
Última Hora
- 00:05
Saiba como comprar casas e carros penhorados pelo Estado - 00:05
Camargo Corrêa regressa a Lisboa para contra-atacar Cimpor - 00:05
A nova amnistia fiscal: vícios privados... “públicas” virtudes? - 00:05
Uma boa notícia de pé de orelha - 00:05
Combater a crise: gerar riqueza - 00:05
O novo museu escultura de Roma - 00:05
Conheça os hotéis do mundo que convencem à primeira vista









Professor António Gomes da Mota: Com o devido respeito, permita-me dar-lhe um conselho: veja como funciona DE FACTO a "internacionalização" das Empresas Portuguesas e depois comente. O que fazem com os apoios financeiros do Estado. Os impostos que pagam e onde, após se terem "internacionalizadao". Os impostos que pagam e onde os seus Quadros.
Letrados, mais ou menos iletrados, todos falam de internacionalização. Agora, vamos todos para a China, depois são os PALOP, e depois os BRIC e depois, e depois ... . Vejam-se os exemplos de internacionalização e analisem-se os casos de sucesso e insucesso e conclua-se e divulguem-se as conclusões, PEDAGOGIMENTE. Porque não se fala de internacionalização e de acesso a mercados externos, que são situações distintas e de exigências financeiras, logísticas, conhecimento e de risco, muito diferentes. Provavelmente não se deverá lançar o repto da internacionalização às PME portuguesas, mas sim o do acesso a mercados externos. Discuta-se primeiro, porque em caso de insucesso, habitualmente quem paga são as empresas e respectivos stakeholders. Os arautos das verdades, esses continuam olimpicamente a clamar sobre a necessidade da Internacionalização.