Economia

07/05/12 00:05

Escolhas políticas de gregos e franceses desafiam mercados

Rui Barroso

Risco de não haver uma coligação forte na Grécia concretizou-se.

Escolhas políticas de gregos e franceses desafiam mercados

As eleições em França e na Grécia foram encaradas pelos economistas como a opção dos eleitores entre crescimento ou austeridade. E, a julgar pelos dados disponíveis à hora de fecho desta edição, gregos e franceses penalizaram as opções relacionadas com a austeridade, o que poderá provocar convulsões nos mercados no curto prazo. No caso grego, o parlamento ficará fragmentado o que coloca o risco de não haver uma coligação forte que consiga colocar em prática as medidas de austeridade do segundo pacote de assistência financeira.

Em França, os economistas antecipam problemas para a bolsa no curto prazo. O Goldman Sachs, por exemplo, recomendou na semana passada aos seus clientes apostarem na queda da bolsa francesa devido à possibilidade de Hollande e do novo parlamento gaulês, que será eleito em Junho, abrandarem o ritmo das medidas de austeridade. "Isso poderá gerar tensões no mercado. Ao ver a agenda de reformas estruturais implementada em Espanha e Itália recentemente, os nossos economistas continuam com a perspectiva de que França possa ser vista como estando a ficar para trás", defendem. Resultado: antecipam uma subida dos juros da dívida pública gaulesa, o que terá um impacto negativo na bolsa de Paris.

Mas esta perspectiva negativa não é consensual. Os economistas do Deutsche Bank, por exemplo, antecipavam na semana passada que a vitória de Hollande não serão um evento que irá mudar radicalmente o panorama actual dos mercados, já que não acreditam que irá colocar em causa o pacto orçamental da UE. "Será dar mais voz à posição pró-crescimento que está a ganhar força na Europa", referem. No entanto, alertam que no curto prazo, metas mais suaves para o défice acabarão por penalizar os juros da dívida pública.

E, apesar da turbulência no curto prazo, no longo prazo, a vitória de Hollande até poderá ser mais positiva para os mercados. "Poderá implicar uma reanimação das estratégias de crescimento da zona euro, acabando por ter efeitos positivos mais tarde", referiram os analistas espanhóis da Ahorro Corporación.

Grécia levanta questões sobre compromisso com o euro
Apesar dos resultados das eleições francesas até poderem ter efeitos positivos para os mercados no longo prazo, o desfecho das eleições gregas poderá lançar mais ondas de choque. Vários bancos de investimento, como o Deutsche Bank e o RBC Capital Markets, tinham avisado que os mercados estavam a ser complacentes com as eleições gregas. Isto porque existe o risco de não se conseguir uma coligação com maioria absoluta para aplicar as medidas previstas no segundo pacote de resgate.

A preocupação dos economistas é se a Grécia terá condições para se mostrar comprometida com a moeda única. "o mecanismo de transmissão do contágio ocorre não em termo do que estas eleições significam para a sutentabilidade orçamental grega, mas sim sobre o que significam para o compromisso de permanecer na zona euro", referiram os analistas do RBC.

O problema de não se ter obtido uma maioria sólida, à luz das projecções disponíveis à hora de fecho desta edição, é, segundo os avisos do Deutsche Bank na semana passada, "criar-se incerteza política sobre o compromisso da Grécia em cumprir as medidas de austeridade". Para o RBCisto poderá levantar questões sobre a vontade da Grécia em continuar na zona euro.

Impacto nos mercados

França
Os economistas defenderam que uma vitória de Hollande teria alguns custos para a dívida pública portuguesa. No último mês, o diferencial entre os juros das obrigações a dez anos francesas e os títulos a dez anos alemães, tidos como os mais seguros na zona euro, tiveram uma ligeira subida. A dívida gaulesa transacciona a 2,826% e a dívida alemã a 1,584%. Também a bolsa francesa teve um pior desempenho que o índice europeu no último mês. Paris perde 4,75% e o Stoxx 600 desliza 1,66% neste período.

Grécia
Alguns economistas alertaram nas últimas semanas que os mercados estavam a ser demasiado complacentes com as eleições gregas, dado o risco de não se conseguir uma maioria parlamentar que tenha margem de manobra para executar as medidas de austeridade do programa de ajuda. Este desfecho pode levar a preocupações sobre o compromisso de Atenas com o euro. No entanto, a moeda única teve um desempenho praticamente inalterado face ao dólar no último mês, apesar de ter perdido força nas últimas sessões.

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