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Entrevista: O homem que cortou o 'rating' de Portugal

Mónica Silvares  
28/04/10 12:15

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O Económico falou com Kai Stukenbrock, analista da Standard & Poor's que acompanha Portugal.

O que deve o Governo fazer para acalmar os mercados?
Não nos cabe dar dizer ao Governo o que deve fazer.

Porque duvidam da implementação das medidas do PEC e do cumprimento das metas?
Para este ano há dois factores. Esperamos uma redução do défice, de quase um ponto percentual, mas o problema é o abrandamento no desenvolvimento da economia neste ano e nos próximos. O Governo já anunciou que pretende acelerar a implementação das medidas de consolidação e se as começarem a implementar podem muito bem ter um impacto positivo no défice deste ano, mas não no período total. É reconfortante e dá visibilidade ao sucesso do Governo implementar já as medidas, mostra que consegue aprovar a legislação e obter o apoio da oposição para medidas. E dá-lhe oportunidade de reagir caso seja necessário mais consolidação.

Porque são mais pessimistas?
Estamos mais cépticos que o Governo que consigam reduzir o défice como pretendem. Vemos, por agora, o défice em 2013 em 4,1%. Além disso somos mais pessimistas nas perspectivas de crescimento para Portugal. Não só em termos reais, mas também nominais. Assim será mais difícil estabilizar o rácio da dívida. Apesar dos esforços de consolidação, o rácio da dívida vai continuar a subir até atingir 95% em 2013. Será um maior desafio para o Governo estabilizar o peso da dívida. Estamos ainda preocupados com os choques que podem ter um impacto negativo no crescimento e nas contas públicas, nomeadamente se a retoma da zona euro e de Espanha se revelarem muito mais fracas do que antecipadas.

Os mercados têm sido razoáveis na avaliação dos riscos da economia nacional?
É difícil comentar. A aversão ao risco nos mercados aumentou claramente nos últimos meses.

A decisão de baixar o ‘rating' vai ter um impacto nos mercados o que vai fragilizar ainda mais as economias que já estão em dificuldades. Estamos perante um efeito de bola de neve tornando mais difícil a essas economias recuperarem. [Silêncio] Não gostaria de comentar. Países como Portugal dependem dos mercados para financiarem as suas dívidas e a percepção dos mercados define o preço que estes países pagam pelas suas dívidas. Esta percepção também é importante para o desempenho orçamental dos países, por isso há uma ligação.

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