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Telecomunicações

Entrada da PT na Oi passa por investimento em banda larga no Brasil

Cátia Simões  
28/07/10 00:05

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Enquanto os governos português e brasileiro mantêm contactos políticos, o maior accionista da Oi estuda formas de participação cruzada da PT no Brasil.

Massificação da banda larga no Brasil: é esta a intenção do Governo brasileiro ao intermediar o negócio entre a Portugal Telecom (PT) e a Oi. O presidente do Brasil, Lula da Silva, e o primeiro-ministro português, José Sócrates, estão de acordo quanto à importância da presença da PT no Brasil. Por isso mesmo, os contactos políticos já estão praticamente fechados.

Depois de fechada a parceria entre a PT e a Oi - o que deverá acontecer nas próximas semanas -, o executivo brasileiro gostaria que as duas empresas fossem responsáveis pela implementação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Isto significa que a PT terá de utilizar todo o seu ‘know how' para massificar a internet no país, uma das principais bandeiras de Lula da Silva e de Dilma Rousseff, candidata do Partido Trabalhista nas eleições presidenciais agendadas para Outubro.

O modelo de parceria também já estará definido: a operadora liderada por Zeinal Bava teria uma participação minoritária na Oi, deixando o controlo da empresa em mãos brasileiras. Por outro lado, a Oi ficaria com uma participação também minoritária na PT, em projectos da operadora portuguesa na Europa ou África. A Telebrás, empresa estatal, seria "ressuscitada" e ficaria a gestora, mas a operação seria partilhada entre PT e Oi, como noticiou a edição de ontem do jornal "Folha de São Paulo".

Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES)- o maior accionista da Oi com 31,383% do capital - é o responsável pelo grupo que estuda a forma de viabilizar este modelo de participação cruzada. E a PT precisaria de vender a Vivo para obter o capital necessário para investir (ver texto ao lado). Além disso, garante o "Folha", esta operação será fundamental para evitar que a Oi perca competitividade, a ponto de os accionistas reverem o acordo que blinda a venda a um investidor estrangeiro.

Investimento e separação da Telefónica serão decisivos
O investimento em banda larga não será leve para a PT, comenta Pedro Lino, da corretora DIF. "Este é um investimento muito avultado, dado que se trata de fazer chegar banda larga a um continente, que é o Brasil". Sobre o impacto para os accionistas, o analista defende que "o principal factor é o desvínculo da parceria com a Telefónica que, a não ser amigável, terá um impacto negativo nas cotações da PT", diz. "Há igualmente que pesar a dimensão do investimento no Brasil, pois algo sobredimensionado à dimensão da PT poderá diminuir a rentabilidade para os accionistas."

Apesar do peso do investimento, o plano brasileiro para a massificação da banda larga é uma oportunidade para a companhia portuguesa, que tem conhecimento e capacidade de investimento, quer no segmento fixo quer no móvel. Aliás, Zeinal Bava, presidente da PT, comprometeu-se com Lula da Silva, em Julho de 2009, a participar com a Vivo no projecto de massificação do acesso à Internet.
A base de clientes da Oi, recorde-se, é superior à da Vivo: são mais de 62 milhões de clientes em todos os segmentos mas, no caso da banda larga, ainda estão a ser dados os primeiros passos.

A própria PT, na defesa para se manter na Vivo, usou o potencial de crescimento dos dados móveis e, citando a Anatel, regulador de mercado, referiu que o acesso à banda larga móvel iria ultrapassar a fixa no próximo ano: em 2015, 104 milhões de brasileiros terão acesso à Internet. O potencial de crescimento é imenso e Lula da Silva já reduziu o imposto para dar novo fôlego ao programa. A base de clientes de banda larga, a nível global, cresceu 46,7% entre Março de 2009 e Março de 2010, segundo a Anatel. E só 11,8 milhões de brasileiros têm banda larga fixa - 23 milhões se juntarmos a banda larga móvel, via modem ou com equipamentos 3G. Uma pequena fatia num país com mais de 190 milhões de habitantes.

 





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