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Bruno Valverde Cota

Encostado ou não ?

14/01/09 00:05 | Bruno Valverde Cota 



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Já pensou no número de pessoas que a sua empresa tem e que estão rigorosamente “encostadas”, desaproveitadas e desmotivadas ?

Ouvimos diariamente que são tempos de grandes restrições aqueles que vêm aí.

Aliás, já o sentimos desde o ano que passou. E, por isso, é compreensível que as decisões de gestão das empresas estejam em harmonia com a conjuntura económica e com as perspectivas de futuro. Não digo nada de novo. Mas já pensou no número de pessoas que a sua empresa tem e que estão rigorosamente "encostadas", desaproveitadas e desmotivadas ? Tem noção que está a pagar salários a pessoas que "estão a contar carneirinhos", apenas porque lhes são negadas oportunidades por mesquinhos interesses e jogos de poder? Tem conhecimento destas situações ? Já mediu o valor que a sua empresa perde ? Senão o fez e se tem responsabilidades de gestão seria interessante fazê-lo, não ? Certamente chegará à conclusão que o custo de oportunidade é muito elevado. E, portanto, mudanças têm que ser promovidas no modelo de gestão organizacional e sobretudo nas práticas de gestão das pessoas. A título ilustrativo saliento um estudo desenvolvido por uma equipa sueca, que acompanhou durante uma década mais de três mil trabalhadores homens (dos 18 aos 70 anos), e conclui que o efeito de "chefes incompetentes, irascíveis e injustos" sobre os subordinados é muito negativo, podendo mesmo revelar-se mortal.

Ao mesmo tempo ouvimos também várias noticias de despedimentos ou reformas antecipadas, o que em muitos casos é inevitável, mas já pensou que os chamados "trabalhadores seniores" podem aumentar em muito o valor da sua empresa ?

Obviamente que terão que ter uma situação laboral ajustada às suas necessidades e mais flexível. O que está a fazer a este nível ? Numa época em que está na moda sugerir corte de custos e despedimentos, eu digo corte nos desperdícios sim, mas invista nas pessoas. Incentive a gestão do talento e prove verdadeiramente que os seus recursos humanos são a vantagem competitiva da sua empresa. Não chega dizer que aposta nas pessoas, que os seus colaboradores são o recurso estratégico mais importante, é necessário que a gestão de talentos esteja instituída na sua empresa e que seja incorporada num sistema de incentivos e objectivos. Que seja incorporada no próprio modelo de negócio. Que faça parte da cultura da empresa.

Um estudo recente da McKinsey identifica como principais obstáculos a uma boa gestão de talentos a falta de tempo (de elevada qualidade) dedicado ao tema, o défice de encorajamento de trabalho em colaboração construtiva e partilha de recursos, a falta de envolvimento dos gestores no desenvolvimento de competências e na gestão de carreiras dos elementos da equipa e um défice de envolvimento das administrações na implementação de um processo estratégico de gestão de talentos.

Um outro estudo da "Society for Human Resource Management" conclui que 1/3 das empresas não têm sido proactivas na gestão das pessoas. São muito reactivas e adoptam posturas de gestão de recursos humanos burocráticas e administrativas. Isto precisa de mudar! Em tempo de crise é fundamental eleger o talento como prioridade. E a todos os níveis hierárquicos, em especial nas pessoas do ‘front-line'.

Eu diria que o actual sistema de gestão de recursos humanos, implementado na generalidade das empresas portuguesas, precisa de uma revolução. Foi concebido e desenvolvido para outros tempos. O novo tempo requer uma abordagem ajustada aos diferentes públicos internos. Tem que ser feita uma segmentação e deverão ser identificadas as necessidades, comportamentos e perfil dos diferentes grupos funcionais. A dificuldade a meu ver está na escolha do critério de segmentação, que deverá dar origem a grupos de colaboradores (segmentos) mensuráveis, com potencial, heterogéneos e operacionais, ou seja, uma empresa tem que ser capaz de gerar programas eficazes para atrair, fidelizar e atender segmentos diferentes de colaboradores. Assim, este processo de segmentação, que terá que anteceder a implementação de um sistema de gestão de talentos, deverá pôr em relevo as oportunidades de carreira existentes, permitir a definição de prioridades, facilitar a análise do contexto laboral e facilitar o aumento da produtividade dos colaboradores. Crie diferentes propostas de valor internas. Promova o talento. Do que está à espera?
____

Bruno Valverde Cota, Doutorado em gestão de empresas

 




Comentários (22)

Audel , XEzuJNabm | 02/06/11 04:37
Cool! That's a cvleer way of looking at it!


Stodadway, Oruro | 09/06/09 08:06
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Mario Cardoso, Estoril | 06/04/09 11:57
Infelizmente o que escreve caracteriza a vida empresarial em Portugal. A cultura da mera gestão do status quo é muito forte. Eu durante toda a minha vida profissional, mais de 30 anos, procurei promover o talento e encentivar o mérito. Mas é muito dificil. Parabens por ser como é e por procurar tornar este mundo um pouco melhor através das suas mensagens. Abraço,


sovimver, Lisboa | 01/03/09 17:01
Caro Dr. Bruno Cota
Achei de facto muito interessante o seu artigo, mas como funcionária do BES e conhecendo o seu nome dos "corredores" fui pesquisar e fiquei a saber que actualmente é "Human Resources Communication Manager at Formação e Desenvolvimento de Competências at Banco Espírito Santo" pelo que gostava de lhe perguntar se tem noção de quantas são as pessoas no BES que sofrem com o síndroma "PPE: Potencial Por Explorar" que com o passar dos anos tende a resultar no síndroma "MINSD - Mínimo Indispensável para Não Serem Despedidos", ou ainda quantos são os funcionários do BES que estão encostados.
Acho que o seu artigo deriva claramente do sindroma FOQEDNFOQEF que obviamente quer dizer "Façam o que eu digo, não façam o que eu faço" e que na minha modesta opinião é mais um dos grandes problemas deste País.
Cumprimentos
SOVIMVER



Ricardo Costa, Lisboa | 05/02/09 16:54
Caro Bruno,

O meu comentário ao teu excelente artigo está no meu blog, em

http://mentesbrilhantes.wordpress.com/2009/02/05/ppe-potencial-por-explorar-ou-como-evitar-o-efeito-minsd/

Abraço amigo do

Ricardo


Katyane Nascimento- Portugal, Lisboa | 20/01/09 16:45
Mais uma vez, o Dr. Bruno foi magistral na sua colocação, é mesmo uma pena, que esta ideia só seja implementada em uma fatia muito pequena do mercado. Esperemos que a médio e longo prazo, nos próximos 50 anos quem sabe, esta seja uma realidade na grandes, pequenas e médias empresas, ou seja em uma fatia significativa do mercado, aí sim, de certo Portugal deixará de ser o terceiro mundo dentro da Europa. - Só nos resta esperar mesmo! - Cumprimentos


Teresa Santos, | 17/01/09 11:49
A vida nas empresas é muito complexa e difícil. Cada vez mais! Gosto dos seus artigos pois são reais, traduzem os problemas do mundo empresarial, muito movidos pelas pessoas, e apresenta-nos também aquelas que para si são as melhores soluções. Soube recentemente que trabalha no BES, tentei saber quem era (despertou-me o interesse) e muito sinceramente acho que merece mais. Merece um desafio à sua "altura" e capacidade. O BES é uma empresa orientada para o curto prazo, você é um estratega. Parabéns!


JJC, | 15/01/09 19:15
Parabéns pelo artigo...é sempre bom ver artigos de opinião em contra-ciclo com o negativismo que muitos comentadores e comentadores de bancada já nos habituaram.Venham mais :)


Atento, | 15/01/09 18:12
Atrevido e incisivo. Muito bem.


Maria João Rebelo, | 14/01/09 14:24
Achei o artigo muito interessante. Infelizmente espelha a realidade que se vive em muitas das empresas portuguesas: a da má gestão de competências dos colaboradores, a "indiferença" perante a desmotivação dos mesmos e a obtenção de resultados. Enfim, uma multiplicidade de "realidades" empresariais que tem que mudar, e cuja a atitude de mudança deve partir dos gestores e lideres das empresas.


Alexandra Pereira Coutinho, Lisboa | 14/01/09 12:05
Parebéns pelo artigo!
É um assunto de elevada urgência resolver, e alertar os Gestores principalmente de grandes empresas, visto nas pequenas ser mais fácil reconhecer a avaliar competências.
Há que encontrar as necessidades da empresa, avaliar competências, e alocar funções, só desta forma se podem ter colaboradores motivados em fazer acontecer.
Um Lider deve fazer com que os seus colaboradores brilhem, e para isso deve deixá-los apresentar "trabalho".
No meu caso que trabalho numa empresa com alguns milhares de trabalhadores, somos números e por isso penso que está realmente na altura de se fazer algo em relação a este problema.
Acabar com "quintas e quintais" e dar relevo ao trabalho de equipa e à comunicação interna com os colaboradores.
Vamos mudar mentalidades e acreditar que temos futuro.



Pedro Gonçalves, Oeiras | 14/01/09 11:08
Este artigo reflecte dois problemas de fundo que carecem de elevada atenção por parte dos Gestores em Portugal. Um deles é o problema da falta de liderança, o outro é o da formação. Para se ser um verdadeiro lider é necessário ter a capacidade não só de influenciar os outros, mas também de os gerir de forma eficiente e para tal é necessário cumprir muitos dos critérios e conselhos deste artigo... Por outro lado existe uma ineficiencia no que respeita ao levantamento das necessidades de formação e á forma como a mesma é organizada e estabelecida... Os preconceitos de outros tempos têm de cair... É necessário que os Gestores Privados e Públicos (principalmente) fomentem a liderança e o espirito de equipa e acabem com os formalismos e individualismos... Parabéns pelo artigo!


Rita Correia, Lisboa | 14/01/09 10:30
Era bom ver este tipo de "revoluções" acontecerem na mentalidade resistente do "Tuga".
Infelizmente as empresas do nosso país não pensam a longo prazo, só a curto..... Apesar de existir crise na maioria das empresas, em outras a crise apesar de não ter chegado passa já a existir, porque além de estar na moda, ajuda as empresas que não estão em crise a despacharem pessoas e a utilizarem uma desculpa para poupar recursos.
Porque está na moda estar em crise :)



Francisca Albergaria, | 14/01/09 10:12
Acho o artigo super interessante e necessário! Gostava muito de ver as empresas portuguesas a trabalhar em conjunto para essa realidade. No entanto, mudança é algo a que os portugueses resistem... Mas quero acreditar que se o processo for bem gerido e se todos (elementos da empresa) forem incluídos nele, tudo é possível. Concordo, é tempo de evoluir.


Malhotra, | 14/01/09 09:56
Não interessa fazer essa avaliação. O mais importante são os jogos de poder e os interresses!
Pegou na linha certa, mas de quem é sério e actua com ética. Desejo-lhe sorte. Vai precisar!


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