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Crise

Empresários avaliam retenção de subsídios no sector privado

António Sarmento e Luís Lopes  
21/10/11 14:15

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O Económico contactou 10 empresários para avaliar se o corte dos subsídios de férias e de Natal se devia estender ao sector privado.

A maioria dos empresários contactados pelo Económico é da opinião que o corte do 13ª e 14ª mês, aplicado pelo Governo aos funcionários públicos, também devia se aplicar ao sector privado para uma melhor distribuição dos sacrifícios entre os portugueses.

Os empresários que descartam o corte nos subsídios defendem que os colaboradores produtivos não merecem ser castigados e que há outras formas das empresas reduzirem custos sem mexer na remuneração dos funcionários.

Até porque não é evidente como se poderá proceder a uma redução dos salários no sector privado dada hoje como inevitável, em alguns sectores, pelo próprio primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. Isto porque a lei proíbe a redução de salários no sector privado nos mesmos moldes do que foi feito no sector público, ou seja, de forma unilateral.

Alberto da Ponte
CEO da Sociedade Central de Cervejas (sector cervejeiro)

"Nas empresas privadas, se tivermos em conta os custos, existem outras alternativas a cortar salários, que podem passar por uma redução de custos. Na nossa empresa quem tem boa performance tem direito ao salário, recompensa e bónus por objectivos. Há uma motivação orientada para o crescimento para prestar um bom serviço aos accionistas e ao País, nomeadamente uma empresa como a nossa que é exportadora."

Carlos Martins
Presidente da Martifer (sector da construção e energia)

"Não é solução cortar nos subsídios porque isso não ajuda em nada e economia. A medida vai afectar principalmente os sectores do turismo e do comércio. Mas mais importante do que o 13º ou 14º mês é o salário anual, que deve estar em linha com o que o funcionário produz. No caso da Martifer ainda não se pensou sobre a possibilidade de cortes dos subsídios, mas é uma medida que pode ser avaliada."

Diogo Vaz Guedes
Presidente do grupo Gespura (sector da hotelaria, imobiliário e energias renováveis)

"É fortemente provável que a situação do corte nos subsídios possa contaminar o sector privado. É muito normal que possa haver alguma contenção por parte das empresas. Nós temos vindo a trabalhar numa série de medidas de contenção, com modelos parecidos, mas não exactamente desta forma. Se todos estivermos conscientes de que são medidas temporárias, eu creio que as pessoas compreendem."

Fortunato Frederico
Presidente da Kyaia (sector calçado)

"Os cortes nem ao sector público se deveriam aplicar. É a pior solução. Quem cumpre horários e é produtivo não merece ser castigado. Os cortes só prejudicam o crescimento da economia e o Governo deveria ter procurado outras medidas."

Hipólito Pires
Presidente da Hipogest (sector automóvel)

"Por solidariedade a resposta poderia ser positiva. Porém, o sector privado contém uma componente de precariedade que só por si torna não comparável o sacrifício da perda dos dois salários referentes aos subsídios de Natal e de férias. Por esta razão não se justificaria e seria simplesmente injusto."

Jorge Armindo
CEO da Amorim Turismo (sector da hotelaria e Casinos)

"Eu estou solidário com todas as medidas que tiverem de ser feitas para melhorar a economia do País, mas é preciso medir até que ponto é que as intervenções são justas ou injustas. À partida não concordo que se descrimine entre sector público e sector privado e o Governo podia ter tomado medidas mais equitativas para não introduzir anomalias no funcionamento do sistema."

Jorge Coelho
CEO da Mota Engil (sector construção e serviços)

"Nós temos que nos adaptar às leis do País. Na Mota Engil temos tido uma forte política de contenção de custos na redução de viagens, comunicações e serviços, evitando ao máximo mexer nos níveis de remunerações. Nós estamos a fazer uma redução de custos muito forte, mas sem afectar os rendimentos das pessoas."

Miguel Júdice
Presidente do Grupo Lágrimas (sector hotelaria)

"A extensão do corte nos subsídios ao sector privado deverá estar relacionada com a situação financeira de cada empresa e se atravessam ou não dificuldades. Penso que se a sobrevivência de uma empresa depender desse factor então não terá alternativa, mas esta não deve ser uma medida generalizada e deverá ser tomada em último recurso."

Paulo Lilaia
Administrador da Generis (sector farmacêutico)

"Os sacrifícios devem ser distribuídos equitativamente por todas as pessoas. O esforço deve ser distribuído pelo sector público e privado num modelo que garanta justiça nessa distribuição dos sacrifícios. Tudo o que houver extra para reduzir a despesa pública deverá servir para que o País possa novamente crescer."

Pedro Marinho de Castro
Administrador de A Vida é Bela (sector retalho)

"Na minha opinião, o esforço deveria ser estendido a todo o sector privado e distribuído por todos. Mas contra mim falo porque isso prejudicaria a minha empresa, que é do sector dos presentes. Não estamos a ponderar cortar subsídios aos nossos colaboradores, mas sim crescer em outros pólos."





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