Não é um exclusivo português mas está a repetir-se com demasiada frequência: grandes empresas com mais de dois accionistas relevantes são sinónimo de problemas.
Lembremos os casos mais mediáticos. Foi assim no BCP, com uma ajuda preciosa da gestão. Ainda não deixou de ser assim na Cimpor. E é cada vez mais assim na Galp. O que está na origem desta agitação accionista? Um objectivo peregrino e uma incapacidade funcional. O objectivo: controlar uma empresa sem ter dinheiro nem posição accionista para isso. E a incapacidade: ignorar por completo o que é a partilha de gestão e o aproveitamento de sinergias. Idiossincrasias nacionais? Talvez a dimensão reduzida do mercado e o perfil "quero, posso e mando" de alguns empresários ajudem à construção desta imagem. Mas, existem excepções. Com um denominador comum: lideranças fortes que alinham accionistas e federam interesses. Exemplos: a EDP de António Mexia e o BPI de Fernando Ulrich. Ora, se existem boas práticas, a gestão em permanente conflito não é um fado português. Basta recentrar os objectivos e educar as capacidades. No pior dos cenários, é empreitada para uma geração...
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Miguel Coutinho
miguel.coutinho@economico.pt
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