Gosto desta expressão, empreendedorismo social e sobretudo do conceito que lhe está associado. É sobretudo bem mais estimulante do que a tradicional, embora importante, responsabilidade social das empresas, tipicamente associada à noção de um dever ou uma obrigação do mundo empresarial em contribuir para o desenvolvimento sustentável da sociedade em que actua.
O empreendedorismo social tem um outro alcance, porque e desde logo, coloca a tónica no modo como se faz e nos agentes que actuam em prol dessa mesma sociedade. Assimila os mesmos valores que aplaudimos no sucesso no mundo empresarial: a visão, a inovação, o risco, a capacidade de gestão, organização e mobilização de meios e pessoas, mas com outra missão e objectivos.
Num momento em que cada vez menos e, provavelmente, de modo irreversível, poderemos contar com o Estado como sistemático garante de todo o apoio social a criação de um espírito empreendedor activo, dinâmico, profissional, no melhor dos sentidos, a actuar no terreno social poderá ser um poderoso instrumento de uma sociedade que não desiste de ser solidária e, ao mesmo tempo, um promotor activo de desenvolvimento económico.
Creio que muitos de nós conhecem ou contactaram com várias iniciativas de solidariedade assentes no voluntarismo generoso, de tempo, de recursos, ou simplesmente de boa vontade e que falham, esmorecem rapidamente ou ficam longe dos objectivos a que se propunham ou do potencial que prometiam, pelas mais diferentes e variadas razões mas invariavelmente ligadas a uma incapacidade de estruturar, organizar, fazer evoluir, os objectivos, as acções, os meios, desperdiçando-se pelo meio uma enorme energia que estava disponível para agir.
A apologia do empreendedorismo social não pode nem deve ser menos exigente do que a do seu irmão empresarial, no conhecimento e nas competências a envolver, nos passos de gigante que é preciso dar entre uma boa ideia e um bom projecto, entre um bom plano e a sua concretização, na acção, na organização e na mobilização dos meios necessários.
O empreendedorismo social pode ser uma opção de vida para muitas formações menos atreitas ao mundo empresarial ou com outros valores e objectivos de vida a prosseguir. Mas não vingará se apenas assentar na boa vontade e no voluntarismo de uns tantos, tão generoso e infelizmente não menos inconsequente, tantas vezes.
A Embaixada da Holanda e o IPCG ao terem lançado esta semana o prémio Damião de Góis de empreendedorismo social, estão no caminho certo, o de dar visibilidade e disseminação às melhores práticas, aos casos de sucesso que se souberam distinguir pela visão, inovação e organização demonstradas e, assim, serão uma fonte de aprendizagem valiosa para que outras iniciativas sejam criadas e não fiquem ingloriamente pelo caminho, antes de concretizar o futuro prometedor com que nasceram.
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António Gomes Mota, Professor na ISCTE Business School
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