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Três advogados de três sociedades ibéricas avaliam o impacto da crise sobre a sua actividade em Portugal e em Espanha.
No último ano, Portugal e Espanha viraram ao centro-direita e vivem, neste momento, numa realidade paralela: com o desemprego em máximos históricos, está em curso uma reforma profunda do mercado de trabalho, uma reestruturação do sistema financeiro e uma aposta clara na saída do Estado de sectores-chave como o das Águas. Com a crise a apertar, o Económicotv e a "Advocatus" convidaram três advogados, de três firmas ibéricas, para ajudarem a perceber as oportunidades e os riscos que temos pela frente.
António Villacampa, da Uría Menéndez-Proença de Carvalho, é natural de Madrid, vive em Lisboa há 10 anos e o que o mais o preocupa não são os próximos 10 meses. "Apesar de tudo, 2011 e 2012 vão ainda ser anos positivos para os advogados, a grande preocupação serão os anos de 2013 e 2014." Porquê? "Os advogados têm sempre muita coisa para fazer quando a situação é muito positiva ou muito negativa - o pior é quando nada acontece."
Miguel Esperança Pina, sócio da Cuatrecasas, Gonçalves Pereira e Associados, também tem, apesar de tudo, algum optimismo: "No fim de 2011 estávamos todos à espera do tsunami mas, agora, as pessoas percebem que não é bem assim - a vida continua, os escritório também, e com muito trabalho."
Albano Sarmento, especialista em arbitragem e sócio da Gómez -Acebo & Pombo, mostra-se "muito preocupado" com "a falta de financiamento - este é o nosso principal problema." Em Espanha, insiste o advogado, a consolidação de 45 caixas em apenas 15 "procurou viabilizar o financiamento de empresas e de famílias", mas em Portugal o problema persiste. Ainda assim, Albano Sarmento, cuja sociedade assessorou a Oman Oil Company que adquiriu 10% da REN, destaca a capacidade que Portugal tem tido em captar novos parceiros: "As privatizações foram um sucesso, e Portugal só teve a ganhar com a entrada de capital de novas geometrias."
Depois de uma semana que ficou condicionada pelo aumento histórico do desemprego, estes três advogados olham para o copo e vêem-no meio cheio. Miguel Esperança Pina aponta a nova lei da arbitragem "como uma grande mudança e um instrumento muito importante" neste contexto de crise. Villacampa destaca os bons negócios que se podem concretizar com a crise em pano de fundo: "Em Espanha existem excelentes oportunidades no imobiliário", desde que "haja coragem para investir."
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