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17 Abr 2012
Miguel Setas

Economia verde

Miguel Setas

Os últimos dias foram férteis em notícias que dão conta de uma crescente implantação da chamada “economia verde”.

O mais recente relatório da ONG Pew Charitable Trust, divulgado na semana passada, revelou que, apesar da crise financeira internacional, os investimentos em energia renovável atingiram US$ 263 mil milhões, mais 6,5% do que no ano passado. A capacidade instalada de energia solar, eólica, PCH (pequenas centrais hidroelétricas), biomassa, geotérmica e das marés já atinge 565 GW. Em 2011, foram adicionados, no mundo, 83,5 GW de nova capacidade.

Pela primeira vez, a energia solar liderou os aportes com US$ 128 mil milhões, mais 44% do que em 2010. O montante permitiu que fossem instalados 29,7 GW. As "usinas" solares somam 73 GW em operação. Já a energia eólica viu os investimentos recuarem 15% para US$ 72 mil milhões, o que permitiu a instalação de 43 GW. A energia eólica continua a fonte renovável com maior capacidade instalada, 239 GW dos 565 GW totais. Os Estados Unidos reassumiram a liderança dos investimentos renováveis, que tinham perdido para a China, em 2010. Nos países da União Europeia (excluindo Alemanha, França, Itália, Espanha e Reino Unido), investiram-se US$ 11,1 mil milhões, uma redução de 27% face a 2010.

O Brasil apareceu bem classificado, na décima posição, com um investimento total em energias limpas de US$ 8 mil milhões, mais 15% do que no ano anterior. Aliás, o Grupo EDP deu algum contributo para este crescimento, inaugurando recentemente o parque eólico de Tramandaí (com 70 MW), no Rio Grande do Sul, que marcou o atingimento do primeiro GigaWatt (1000 MW) de energia eólica no Brasil.

E assim a "economia verde" cresce "de vento em popa". A própria Organização Mundial do Trabalho (OIT) estima que devem ser criados 25 milhões de novos "empregos verdes", até 2030. Hoje, este setor emprega menos de 3 milhões de pessoas em todo o mundo. Os próximos 20 anos devem, então, quase decuplicar o número de "empregos verdes" existentes.

Portugal deve entrar em contraciclo nesta matéria. Foi congelada a atribuição de novas licenças para a produção de eletricidade em regime especial, afetando essencialmente a geração eólica e a cogeração. Aníbal Fernandes, Presidente do Consórcio ANEOP (Eólicas de Portugal), alertou, em declarações recentes, que 130 mil empregos da fileira renovável podem estar em risco.

De acordo com a Direção Geral de Energia e Geologia, a incorporação de fontes renováveis no consumo bruto de energia elétrica, foi de 50%, em 2011. Portugal foi, em 2009, o terceiro país da União Europeia (UE15) com maior incorporação de energias renováveis, depois da Áustria e da Suécia, à frente da Dinamarca e da Finlândia. Este é um sinal claro de desenvolvimento sustentável e de pioneirismo na implantação de uma "economia verde", que atualmente ganha expressão e cria empregos por todo o mundo. Uma onda que Portugal não pode perder.
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Miguel Setas, VP de Distribuição e Inovação da EDP no Brasil

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