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Manuel Alegre afirmou hoje que é preciso "repor a decência", dizendo que justiça e política não podem misturar-se e que a corrupção tem de ser combatida com as regras de um Estado de Direito.
O ex-candidato presidencial, que falava no final da sessão de apresentação de um livro que sintetiza um ano de publicações da revista "Ops! (Opinião Socialista), recusou-se sempre a falar em concreto no recente processo judicial Face Oculta e também se escusou a esclarecer se considera que os agentes da justiça estão a ter actuação política.
"Vejo muito mal este clima de tensão entre a justiça e a política. Isso é muito preocupante. Uma das questões dos sistemas políticos é hoje a corrupção, mas a corrupção tem de ser combatida com as leis, com as regras e os princípios do Estado de Direito democrático", advertiu o ex-candidato presidencial.
Alegre frisou depois que "não se pode combater um crime com soluções que não respeitam os princípios básicos de um Estado de Direito" e deixou uma crítica velada ao funcionamento do sistema judicial.
"Há muitas notícias nos meios de comunicação [sobre processos de justiça], mas, até agora, nada foi até ao fim. Ora, isto acaba por favorecer a corrupção. Não há soluções contra corrupção e há descredibilização da justiça e do sistema democrático", apontou.
O antigo deputado socialista observou ainda que "há neste momento um clima de suspeição" nas instituições democráticas portuguesas.
"É preciso repor a decência na nossa vida política, assim como restabelecer a confiança e credibilização das instituições. Este deve ser o discurso de quem quer uma vida democrática sã. Os responsáveis políticos e da justiça não se podem misturar",
salientou.
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