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Entre as mudanças que Barack Obama trouxe à liderança e às relações diplomáticas mundiais está a de ter tirado a carga negativa ao ‘dar um passo atrás’, à ideia de que reflectir pode ser melhor do que avançar sem segurança, à ‘cowboy’.
No sábado, as negociações para a Cimeira do Clima, que se vai realizar em Dezembro, em Copenhaga, deram precisamente um passo atrás, mas que pode significar o avanço muito mais célere no sentido de se encontrar uma solução climática para o mundo. O primeiro-ministro dinamarquês, Rasmussen, visitou este sábado os líderes reunidos na cimeira dos países da Ásia e Pacífico - entre eles Barack Obama - para discutir opções para a cimeira do Clima de que será anfitrião. E mudou de estratégia: em vez de os obrigar a uma difícil solução global, aconselhou-os a pensarem numa decisão a dois tempos, passo a passo. Numa primeira fase da negociação seriam acordadas estratégias para a tecnologia, financiamento e adaptação legislativa. E deixar-se-ia para uma segunda fase as metas de emissões - o ponto mais complexo e que mais guerra vai dar entre os países que mais emitem. É muito positivo para o mundo ter esta cimeira tão importante para o seu futuro nas mãos de Rasmussen, que tem fama de moderado e se tornou também um realista. Mas é também muito importante que os governos não se encostem a esta moderação para não encontrar a solução definitiva de que o mundo tanto precisa.
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A ETERNA FRAQUEZA POLÍTICA
Perante as fraquezas que se apontam, permanece o inaceitável cenário das tempestades tanto nas Filipinas como nas ilhas de Samoa, bem como noutras ilhas do Pacífico, nomeadamente as Maldivas, cujo Presidente, Mohamed Nasheed, a tomar ousadas providências de deslocação total a fim de evitar que a população do seu país (arquipélago de 1,192 pequenas ilhas), seja engolfada pelo crescente nível das águas do Oceano Indico, como é ainda o caso do Bangladesh. As Ilhas Marshall, também no Pacífico, são outro exemplo de constantes inundações como a revista francesa Paris-Match recentemente anunciou e ilustrou. Entretanto, com as calotas milenares do Árctico e do Antárctico a derreterem-se, o que acontece pela primeira vez, aumenta o volume de água e, portanto, a subida do nível oceânico. Além das inevitáveis cheias, com o volume de águas geladas, ameaça as correntes temperadas do Norte do Atlântico, como o Golfo do México (Gulf Stream) e, consequentemente, alterações climatéricas, particularmente no Hemisfério Norte. A contrastar, regiões como o Estado da Califórnia e a enorme bacia Murray-Darling, no sul da Austrália, bem como vastas regiões da África, como a Etiópia e o Quénia, ou ainda a extensa região agrícola do Estado de Maharashtra (sul da Índia), só para mencionarmos os principais, sofrem de enorme escassês de água, com consequente prejuízo para a agricultura e a inevitável deslocação de populações famintas. Estes, os contrastes resultante do Aquecimento Global, também conhecido por Aquecimento de Estufa.
Actualmente o nível do mar tem subido a uma média de três milímetros por ano. Os estudos do Painel Intergovernamental de Alterações Climáticas (IPPC) da ONU, - entidade responsável pelas observações climáticas do mundo inteiro - prevêem um aumento do nível do mar de 18 a 59 centímetros até 2100, não tendo em conta o comportamento futuro das calotas polares (bases permanentemente geladas) da Antárctida e da Gronelândia. Obviamente um dos problemas considerados foi o aumento da temperatura. Salienta o estudo que durante o último século aumentou 0.6º. Além disso, até 2100, e na pior das hipóteses, atingirá cerca de mais de 6 graus que a temperatura actual, o que significa, como apontaram recentemente os cientistas americanos do Instituto de Oceanografia Scripps, na Califórnia, publicado no dia 17 de Novembro de 2008, na Nature Geoscience. Com base no artigo em epígrafe, enquanto anteriormente evidência sobre as alterações das temperaturas tanto no Árctico como no Antárctico não podiam ser directamente atribuídas à influência humana, estes cientistas concluíram que “os nossos resultados demonstram que a actividade humana provocou já influência significativa no aquecimento de ambas as regiões polares, com particular impacto na biologia, comunidades indígenas, calotas polares, bem como nos níveis globais.” Neste artigo, estes cientistas apontam e confirmam, os já acima citados estudos do IPPC, ou seja até 2100, prevê-se um aumento do nível do mar de 18 a 59 centímetros. No caso do nosso país, como apontou recentemente ao Jornal de Notícias, o Director do Instituto de Meteorologia Nacional, Dr. Adérito Serrão, as temperaturas médias no nosso país, têm aumentado significativamente desde 1930 – 1,2º . Adianta, contudo, que até ao fim do século poderão agravar-se para 8,6º!
Esta, a evidência e inevitabilidade, que os 730 delegados (entre os quais 50 chefes de Estado), de cerca de 200 países, que se vão reunir no Centro Bella, em Copenhague, enfrentam no próximo dia 7.
Parece que os asiáticos não prescindem do crescimento,com deficiente utilização de combustíveis poluentes.A politica de hoje sobrepões-se às consequencias futuras( como a dívida pública portuguesa...)