O País, diz-se, virou à direita e estamos agora a viver aquele típico frenesim de mudança de regime e da tradicional dança de cadeiras.
São filas de gente apinhada à espera da sua pasta ministerial, da sua secretaria de estado, do seu cargo de chefia nas empresas públicas, nos institutos, fundações, nas direcções gerais, e por aí adiante.
Tal é a fila que o País mais parece um supermercado em dia de liquidação de ‘stocks'. Passos e Portas já chamaram os seus patinadores à caixa central. Cavaco está cheio de pressa e já está a preparar um Governo em tempo recorde, que as medidas da ‘troika' assim o exigem. Uma espécie de governo instantâneo. É só juntar água e mexer. Tirar a AD que estava congelada desde os tempos de Barroso e metê-la no microondas. O eleitorado não aceita devoluções por defeito de fabrico. A crise abriu a época dos saldos e das promoções. Os eleitores votaram num partido e vão levar dois. Quem votou no programa do PSD ainda vai levar mais dois de brinde, o da ‘troika' e o do CDS.
Mas o que todos parecem querer saber nesta altura, numa espécie de frenesim que antecede a noite dos Óscares, é quem será o próximo ministro das Finanças. Quem é o senhor que se segue a Teixeira dos Santos? Há meia dúzia de nomeados bem posicionados para ganhar o Óscar, entre os quais Eduardo Catroga, Vítor Bento, João Duque ou Daniel Bessa.
Quem será o próximo D. Sebastião das Finanças que virá, no meio do nevoeiro, para nos salvar da bancarrota? Esta parece ser a decisão mais importante que Passos Coelho terá de tomar. Permitam-me discordar! Sem dúvida que o papel do próximo ministro das Finanças será importante. Mas o mais difícil, que é encontrar um caminho para pôr as contas do País em ordem, já foi feito pela ‘troika'. O caminho está traçado, agora só o falta calcorrear. Ao próximo ministro das Finanças bastar-lhe-á ter força política, estar alinhado com Passos e estar rodeado de bons secretários de Estado e técnicos para executar.
Mas se não é o ministro das Finanças, então qual é decisão mais importante que Passos terá de tomar?
Escolher um bom ministro da Economia e um excelente ministro para a pasta social, que supostamente vai juntar Saúde, Trabalho e Segurança Social. Duas pastas fulcrais para as quais o País ainda não tem um rumo definido. E passo a explicar. Primeiro, porque sem uma política económica virada para o crescimento não há austeridade que nos valha. Ainda ontem o FMI veio dizer o óbvio. Mesmo que Portugal consiga cumprir o programa da ‘troika', não tem garantido o regresso aos mercados.
E sem crescimento económico, e sem excedente primário na economia, de nada nos valerá a austeridade. Em segundo lugar, com o desemprego a chegar aos 13,4% no próximo ano como diz o FMI, e no meio da agenda liberal da ‘troika' que quer facilitar os despedimentos, vai haver muito drama social. E a agenda supostamente liberal do PSD não pode descurar os cerca de um milhão de portugueses a precisar da ajuda do Estado. Não nos podemos esquecer que a principal e a mais nobre função de um Estado é acudir aqueles que mais precisam.
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Pedro Sousa Carvalho, Subdirector
pedro.carvalho@economico.pt
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