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Análise BPI

E a zona euro caminha para a recessão...

Agostinho Leal Alves, do Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI  
24/02/12 18:55

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Nas previsões intercalares de Fevereiro, a Comissão Europeia (CE) indicou para 2012 uma estagnação económica na União Europeia (UE) e uma moderada recessão na Zona Euro...

(..)desde as últimas projecções (no Outono) que se acentuaram alguns riscos, registando-se também um abrandamento mais forte que o esperado no final de 2011, com todo o tipo de repercussões e contágios. Esta situação de fragilidade económico-financeira teve expressão acrescida nos países implicados na crise da dívida soberana. Embora se assista à deterioração económica na Zona Euro, a CE já vê sinais de estabilização e mesmo de crescimento futuro. Nos mercados financeiros, a turbulência do último ano está a ceder muito gradualmente com, por exemplo, as yields das dívidas soberanas dos países sob escrutínio (Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália) a registarem menor pressão de subida, embora os spreads para o benchmark ainda se mostrem bastante elevados. Tem contribuído para esta situação, as últimas medidas decididas pelo Banco Central Europeu (BCE), que ampliaram a liquidez disponível (prazo alargado a 3 anos e com colaterais elegíveis acrescidos).

De facto, os efeitos da crise da dívida soberana e um cenário de crescimento global mais moderado reflectir-se-ão numa contracção de 0.3% das economias da região do euro. Há não muito tempo era esperado um crescimento de 0.8%. A quebra do produto afectará economias como a belga, espanhola, cipriota, eslovena, húngara, holandesa, grega e portuguesa. Os riscos para este cenário são essencialmente negativos e prendem-se com um eventual exacerbamento das questões em torno da dívida pública europeia. No contexto de fortes restrições ao crédito, é notória a debilidade da procura interna e a continuada falta de confiança dos agentes económicos nos últimos dois trimestres de 2011, a transitar para os primeiros meses de 2012. Por outro lado, as medidas adicionais de consolidação orçamental adoptadas pelos estados membros do euro baixaram consideravelmente as perspectivas de crescimento de curto prazo. A limitar a amplitude da prevista quebra do produto em 2012 está uma eventual recuperação da procura a nível mundial (a necessitar confirmação), com destaque para os EUA e economias emergentes. Na segunda metade do ano, continua a estar previsto o relançamento económico, mas agora mais modesto, reflectindo o retorno da confiança de empresários e consumidores e, por conseguinte, do investimento e do consumo, conjuntamente com uma situação fiscal mais equilibrada.

Por países, destaca-se a perspectiva de contracção de 1% de Espanha, reflexo do maior grau de incerteza, passível de adiar decisões de investimento, maior restritividade na concessão de crédito e quebra do rendimento disponível associado ao agravamento do desemprego. A economia portuguesa deverá cair 3.3% dado a necessidade de prosseguir com a política de consolidação fiscal. Por outro lado, a maior dificuldade de acesso ao mercado de crédito e o ambiente de incerteza associado à crise europeia ampliarão a queda da procura interna. Em ambos os países ibéricos, a expectativa é de que as exportações continuem a observar performances favoráveis, limitando parcialmente a queda do produto. A Grécia deverá contrair 4.4% (a contracção de actividade mais profunda prevista) e para Itália é esperada uma quebra económica de 1.5%.

Entretanto, a agência de notação Fitch colocou a dívida de longo prazo de República helénica no último grau de "lixo", tendo cortado de "CCC" para "C". Abaixo deste nível será incumprimento. Esta acção surgiu depois de aprovado pelos parceiros da Grécia no euro o segundo programa de financiamento e os termos de troca de dívida soberana, no âmbito do perdão de 53.5% do valor nominal da dívida detida pelo sector privado. A Fitch considera esta troca de dívida uma operação que comporta risco.

 




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