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BCE (act.)

Draghi descarta novo resgate a Portugal

Eudora Ribeiro  
23/02/12 16:55

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O presidente do BCE, Mario Draghi, considera, em entrevista ao Wall Street Journal, que Portugal está no bom caminho.

Questionado sobre se acredita que Portugal precise de um segundo pacote de assistência internacional, tal como aconteceu com a Grécia, o presidente do BCE respondeu: "Não. Consideramos que o programa [português] está no caminho certo".

No mesmo sentido, Draghi também não prevê novas reestruturações da dívida na zona euro, no futuro, depois do processo moroso e pouco consensual que envolveu a dívida grega. O responsável afastou a hipótese de um processo semelhante em Portugal, apesar de vários especialistas considerarem que o País iria beneficiar dessa operação.

"Temos confiança de que os países que estão a ser alvo de programas de assistência estão a tomar as medidas apropriadas e que as metas dos seus programas são alcançáveis e realistas", afirmou.

Questionado sobre o que é boa e má austeridade, Draghi respondeu que, no contexto europeu, onde os impostos são elevados e as despesas dos governos são sobretudo correntes, uma "boa" consolidação é aquela onde os impostos são mais baixos e o governo corta despesas com infra-estruturas e outros investimentos.

Para o presidente do BCE, a "má" consolidação será "a mais fácil de se conseguir" porque pode resultar de um aumento de impostos e corte de despesas de capital, o que é muito mais simples de conseguir do que cortar despesas correntes. "Essa é a forma mais fácil num certo sentido, mas não é uma boa forma de o fazer. Pressiona o potencial crescimento" económico, sustentou ao WSJ.

Na entrevista, Mario Draghi assume que "é difícil dizer se a crise já acabou", preferindo antes olhar para as "mudanças positivas registadas nos últimos meses", e argumentando que "existe hoje uma maior estabilidade nos mercados financeiros". Na base desta melhoria, o responsável apontou as decisões tomadas por vários governos tanto em matéria de consolidação orçamental como ao nível de reformas estruturais, os avanços rumo a uma maior união orçamental - "onde os governos europeus estão a começar a abrir mão da soberania nacional em nome do objectivo de estarem juntos", referindo ainda as melhorias no sistema bancário, que "parece menos frágil do que há um ano".

Contudo, Draghi indicou ao WSJ que "a retoma está a avançar a um ritmo muito lento e que permanece sujeita a riscos negativos", manifestando-se também surpreendido com o facto de não ter havido euforia nos mercados depois de aprovado o novo pacote a Atenas, o que significa provavelmente, diz, "que os mercados querem ver a implementação das medidas".

Na sua primeira entrevista depois de fechado o segundo pacote de assistência à Grécia, orçado em 130 mil milhões de euros, Draghi sublinha que, sem o acordo, "não haveria qualquer jogo" em relação a Atenas, e que a nova assistência pode ser "o começo de um mundo novo para a Grécia, onde os problemas de financiamento pendentes foram resolvidos". "Agora as políticas terão de ser aplicadas", frisou, colocando a responsabilidade sobre o governo grego.

Questionado sobre quais as reformas que considera serem mais importantes, Draghi considera que, na Europa, em primeiro lugar são necessárias reformas nos mercados de bens e de serviços. E que a segunda mais importante é no mercado laboral.

Nessa grande entrevista, Draghi refere ainda que o modelo social europeu como inicialmente concebido já desapareceu, o que é visível nas elevadas taxas de desemprego entre os jovens que se verificam em alguns países. Portugal é um deles. De acordo com os últimos dados do INE, a taxa de desemprego entre os jovens situava-se muito perto dos 35% em Dezembro.

É por isso que, argumenta o presidente do BCE, as reformas estruturais são necessárias para aumentar o emprego, sobretudo entre os mais novos, e, consequentemente, aumentar o consumo.

O presidente do BCE revelou também que a primeira coisa para onde olha de manhã é para as bolsas e que não se dá atenção ao câmbio do euro.

Quando passam perto de quatro meses desde que Draghi assumiu as funções de presidente do BCE, o responsável diz que não se arrepende de se ter candidatado à liderança do BCE.

 





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