Economico logo
Nova tecnologia exclusiva para utilizadores registados
António Ramalho

Dos 3ds aos 3cs

24/08/11 00:03 | António Ramalho 



Demasiadas pessoas passaram por este mesmo espaço de opinião, escrevendo sobre a crise inevitável, avisando das consequências erradas de algumas das nossas políticas, e prevendo com inegável precisão o fim de um percurso definitivamente condenado.

Que aconteceu para que se tivesse mantido, para alem da teimosia, um modelo de desenvolvimento insustentável para Portugal?

Várias vezes aqui escrevi, que as ultimas décadas tinham sido dominadas por uma tendência de políticas públicas assente em 3Ds: Demasiada Despesa, demasiado Défice, demasiada Dívida. Muitos procuram em culpados específicos, normalmente os suspeitos do costume, as causas de todos estes males. Eu, por mim, prefiro focar-me numa tendência recente que alinhou todos os incentivos sociais numa mesma direcção. O resultado deste alinhamento de incentivos pode ser visto a todos os níveis. Na política com o inevitável domínio da política das promessas eleitorais (com implicações na despesa pública) e com a clara valorização eleitoral da "obra feita". No económico, com a ditadura da satisfação do consumidor e com a regulamentação detalhada da oferta em nome de uma suposta simetria de informação. No financeiro, através de uma banca focada do crédito e na alavancagem de uma capital regulado mas agora reconhecidamente insuficiente. E no social, através da creditação dos direitos adquiridos e consequente sacralização conceptual do modelo social europeu. Tudo isto, resultado de uma democracia escrutinada por uma larga maioria de cidadãos convictos de que tudo aconteceria sem custos para o utilizador, como se o evolução do mundo fosse doação divina e sem direito a dízima.

Ora os incentivos à despesa, justificaram os deficites, e a acumulação desses deficites justificou o aumento da dívida. E é esta dívida pública cujo valor representará este ano, 100% do nosso PIB que hoje nos afasta dos mercados, cria uma percepção de risco aparentemente insuportável para a banca internacional e que nos impõe este proteccionismo financeiro.

Só falo deste passado, porque os próximos anos, exigirão não apenas uma total inversão do modelo de desenvolvimento recente da sociedade portuguesa, como um alinhamento de incentivos tão eficaz como aquele que nos vitimou. Só que para o próximo futuro, para as próximas décadas, teremos de substituir este modelo 3Ds, por um modelo 3Cs. Forte Credibilidade, Forte Competitividade, Forte Confiança.

Ante de mais forte credibilidade, porque Portugal necessita anular os enormes danos de reputação que os 3Ds lhe impuseram entre os organismos e os mercados internacionais. É por isso que cumprir o plano da ‘troika' não é uma opção é uma religião. Não se discute, pratica-se e com obediência exemplar. Só isso nos permitirá ganhar o espaço negocial que nos autorize ajustar o programa de apoio em curso. Por isso fez bem o Governo em criar uma estrutura de controlo da implementação do programa da ‘troika' na orbita do primeiro-ministro. E fará bem se procurar nesta primeira fase assegurar nota muito positiva ao cumprimento calendarizado das medidas, antecipando prazos, excedendo expectativas.

Mas, não bastará restaurar a credibilidade de Portugal e das suas instituições, será necessário garantir um posicionamento diferenciado no mercado, criando condições competitivas para as nossas empresas. E isto implicará muito mais do que uma simples desvalorização fiscal, implicará flexibilidade em termos laborais, eficácia e rapidez na justiça económica, capacidade de financiamento bancário da actividade económica e apoio à conquista e consolidação de novos mercados de exportação. Deverá ser uma opção clara dar prioridade às empresas mesmo que em detrimento das pessoas, quer em termos fiscais, quer em termos de acesso ao financiamento.

E finalmente, há que restaurar a confiança entre as pessoas, porque são elas que fazem os mercados. Confiança no futuro que permita garantir que um acréscimo de poupança, aliás desejável, não se torne excessivo, penalizando em demasiado o tecido económico de proximidade. Confiança entre as famílias para que o mercado imobiliário não sofra para além do arrefecimento desejável. Confiança nas empresas e no sistema financeiro para que se retomem políticas de investimento, única forma de preservar a sustentabilidade competitiva no futuro. E sobretudo, confiança nos mercados, porque só a confiança nos e dos mercados poderá assegurar a normalização do financiamento da nossa economia.

Credibilidade, Competitividade e Confiança são as três prioridades essenciais para retomarmos um percurso de sucesso no nosso colectivo nacional. Para o conseguirmos temos, como no passado, de alinhar todos os incentivos nestas três prioridades. E se alinharmos os nossos incentivos nestes 3Cs, estou certo que criaremos um verdadeiro desígnio nacional para as próximas décadas.

Porque a questão não será tanto como sair de uma crise que nos ultrapassa, mas como aprender a viver com esta crise que nos acompanha.
____

Antonio Ramalho, Gestor




Comentários (3)

Buy oem software , New York | 29/09/11 01:29
m2sm7I I must admit, the webmaster has written cool..!


Envie o seu comentário

Disclaimer: "O Económico apela aos leitores para que utilizem este espaço para um debate sério e construtivo, dispensando-se, para o bem de todos, o insulto e a injúria gratuitos. Comentários inadequados devem ser denunciados e quando tiverem mais de três denúncias serão eliminados automaticamente. O IP do leitor não será revelado mas ficará registado na base de dados".

Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O DE reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

Publicidade

Collapse

Bolsa

Close
-
PSI 20
-
FTSE 100
-
DAX 30
-
CAC 40
-
SMI
-
AEX 25
-
IBEX 35
-
DOW JONES
-
NASDAQ
-
BOVESPA

Acções do PSI 20

-
-
ALTRI
-
-
JERON. M.
-
-
BPI
-
-
MOTA EN.
-
-
BANIF
-
-
PORTUC.
-
-
BCP
-
-
PT TELEC.
-
-
BES
-
-
REN
-
-
BRISA
-
-
SEMAPA
-
-
CIMPOR
-
-
SONAE IN.
-
-
EDP EN.
-
-
SONAE
-
-
EDP REN.
-
-
SONAECOM
-
-
GALP
-
-
ZON
Feed com delay de 15 minutos
MyTable
Collapse

Económico Digital

Close
Económico Investidor