Lê-se no i que a revisão dos estatutos do PSD vai contemplar a condição de “simpatizante”. Explica Rui Machete, um histórico: “Sem os deveres de um militante, é um estádio intermédio entre o votante e o militante”.
Ou seja: é assim uma espécie de Cavaco, num estádio intermédio entre o ir e o dar de frosques [ontem, um "impedimento" de última hora levou o Presidente a cancelar uma visita à António Arroio, evitando o protesto de alunos]. No dia em que o desemprego bateu nos 14%.
Escreve no Público António Correia de Campos contra o "conteúdo avassaladoramente punitivo e castrador" presente na "mensagem do Governo".
Sendo assim, "cada ministro deveria pedir a gravação da última entrevista de Manuela Ferreira Leite e visioná-la com atenção para aprender o caminho". Mergulhe-se, pois, na excelência de uma mensagem política e descubra-se um mundo em que tudo se resolve de uma forma mágica com recurso ao extraordinário. Sejamos justos: há diferenças no ministro enxotado por Cavaco. Correia de Campos estava a fazer bem e não resistiu à rua.
Neste jornal reencontramos José Luís Arnaut a distanciar-se de Cavaco - "uma surpresa negativa" - para cuidar de Durão - "uma grande figura da política internacional". No afã florescem adjectivos sem cerimónia. Miguel Relvas? "É um dos grandes alicerces políticos deste Governo (...) foi Mouzinho da Silveira o último que mexeu no poder local". Pedro Passos Coelho? "Ele é o timoneiro (...) tem uma grande liderança (...) temos uma óptima relação".
A cabeça de Arnaut orienta-se por uma linha de água que fura numa estreita mas infinita torrente. Eis a liberdade de quem não está habilitado a falar "por Barroso": "Está [Durão Barroso] a fazer um trabalho notável e terá um futuro político em Portugal ou no estrangeiro assegurado. Não precisa de fazer as pazes com os portugueses porque nunca esteve em conflito com os portugueses. Sabemos bem a vantagem que tem sido para Portugal ter um presidente da Comissão Europeia". Imagine-se a coisa sem Durão lá fora a cuidar de nós cá dentro!
Dentro da cabeça de Arnaut habita uma torrente de contradições e anacronismos ao serviço de alguém. Sobre Marcelo: "Desde que fazia comentários na TSF que diz a mesma coisa. Tem um problema de cassete". Vale tudo para travar Marcelo.
Está em marcha a candidatura presidencial de José Manuel Durão Barroso. Com as competências inerentes a um processo em que conta, sobretudo, a desconstrução de possíveis adversários. Neste caminho desenhado ao pormenor aparam-se esquinas inconvenientes sem qualquer pudor ou preconceito. Vai valer tudo na afirmação do grande líder que regressa ao seu povo depois de uma longa e paciente marcha. Ele, "simpatizante" do PSD, está a caminho.
Uma coisa pode afirmar-se com segurança: Durão Barroso não ficará desempregado. Ainda bem, para ele.
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Raul Vaz
raul.vaz@economico.pt
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