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Advogados

“Devíamos ir a Fátima agradecer as privatizações”

Francisco Teixeira  
13/02/12 09:05

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Advogados que acompanharam as vendas de EDP e REN elogiam a entrada de capital chinês num momento de grande aperto financeiro para Portugal.

"Crentes e não crentes, devíamos ir todos a Fátima, a pé, agradecer estas duas privatizações". A frase de Jorge Bleck, sócio da Linklaters e advogado da State Grid na compra da REN, é partilhada por Luís Cortes Martins, advogado dos também chineses da Three Gorges na EDP, e Jorge Brito Pereira, advogado da REN e da Eletrobras.

"Na situação em que Portugal se encontra, com meia Europa em ‘downgrade', é notável que se tenham realizado operações como a da REN e da EDP com prémios muito acima do valor de mercado", explicam. Mesmo para os tais "não crentes", Jorge Bleck deixa um desabafo: "Santo capital chinês, alemão, brasileiro, árabe...", as origens dos principais concorrentes à compra das duas empresas recentemente privatizadas e que rendem aos cofres do Estado mais de três mil milhões de euros.

Os três advogados foram convidados do "Direito a falar", um programa do Económicotv e da "Advocatus", e reagiram com surpresa às insistentes dúvidas levantadas em relação aos novos accionistas da EDP e da REN, que dependem directamente do Governo da China. "O dinheiro chinês é bom para reforçar o fundo europeu de estabilização financeira e comprar dívida dos Estados Unidos, mas não é bom para comprar dívida ou empresas portuguesas?". A pergunta de Cortes Martins - "defensor dos centros de decisão nacionais", como o próprio admite - é retórica, porque para este advogado "a melhor maneira de mantermos as nossas jóias da coroa é criarmos riqueza". 

Já Jorge Brito Pereira defende que "os portugueses sempre tiveram esta posição bipolar: tentam atrair investimento, mas quando ele chega questionam por que veio". Para o advogado da PLMJ, uma firma portuguesa focada em mercados lusófonos, "Portugal teve a sorte de atrair um conjunto de investidores que olham para Portugal como uma entrada no Brasil, Angola e Moçambique". É, aqui, acreditam os advogados, que poderá estar a grande mais-valia da entrada de capital chinês em Portugal.


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