Há momentos de desvario na vida de todos de nós. E só uma desventura dessas explica que uma classe, supostamente culta e informada, tenha escolhido para seu bastonário o dr. Marinho Pinto.
O inolvidável Marinho não deixa bem a sua profissão de sempre, a de jornalista, nem a que agora abraçou, chegando num ápice ao topo da pirâmide, a dos advogados. A boçalidade e má educação com que se tem referido à ministra da Justiça, além de atropelar os princípios elementares da cerimónia, revelam uma alma tortuosa e vingativa que não aceita a crítica nem aprecia a frontalidade.
Azar de Marinho. A ministra não é de intimidações. Favores, clientelas. Quem paga o telemóvel? A própria, num excesso que surpreende a oposição. Quem dá guarida a laços familiares? Olhem o espelho e encontrem o reflexo. Marinho é um amador como a generalidade da incompetência nacional. Que vigora, faz escola e faz da inveja a sua mais evidente característica. Azar de Marinho Pinto: Paula Teixeira da Cruz é competente, séria e portuguesa. Eis a conjugação que desarma a verborreia e o cabotinismo. Marinho meteu a viola no saco.
E, malgré tout, Marinho Pinto tem, como todos os populistas e demagogos, o seu público. Consta que prepara, num delírio que só egos grandiosos permitem, a sua candidatura à Presidência da República. Coisa que a esquerda folclórica certamente aplaudirá. Deus nos livre do Marinho. E o bom senso colectivo, também.
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Raul Vaz
raul.vaz@economico.pt
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