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Inquérito

Despesa com investigação cai no Estado e nas empresas

Andrea Duarte  
29/01/12 17:02

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O inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional mostra que a despesa com I&D diminuiu de 1,64% para 1,59% do PIB, em 2010.

Uma quebra de 0,6 % no financiamento com Investigação e Desenvolvimento (I&D) e 462 pessoas despedidas que trabalhavam em I&D no Estado e nas empresas. Esta são as conclusões do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico (IPCTN) de 2010, publicado pelo Ministério da Educação e da Ciência. A crise fez cair o financiamento da I&D de 2.764 milhões de euros para 2.747 milhões de euros.

O orçamento da I&D já não baixava desde 2003. Apesar dos números pouco animadores, o número total de pessoas ligadas à área a tempo inteiro ainda cresceu em 2010, de 51.347 para 52.378. Nada comparável, no entanto, ao período de 2005 a 2007, quando o número de investigadores no País aumentou em cerca de dez mil (de 25 mil para 35 mil).

A despesa com I&D caiu de 1,64% do PIB em 2009 para 1,59% do PIB em 2010. Quem desinvestiu mais foram as empresas, seguidas pelas instituições privadas sem fins lucrativos. Uma novidade que "não surpreende" José Manuel Pinto Paixão, director da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Pinto Paixão atribui a descida a "uma certa retracção económica", mas também aos próprios indicadores utilizados, que reflectem "políticas fiscais de governos passados que incentivaram um investimento em I&D" pouco claro, onde podia ser também contabilizada a compra de equipamentos, como computadores.

Apesar de considerar que "o inquérito mostra uma evolução bastante positiva nos últimos anos", João Gabriel Silva, reitor da Universidade de Coimbra nota que "já se notam algumas consequências da recente redução do financiamento".

O reitor de Coimbra alerta para as opções que têm sido tomadas em relação à ciência e questiona: "qual é o valor, para o Governo, do sector do conhecimento avançado?" João Gabriel Silva lembra ainda que a indefinição do orçamento de 2013 para a investigação e as universidades deixa as instituições sem capacidade de planear.

Uma das consequências já visíveis da diminuição do financiamento da I&D reflecte-se nos doutorados contratados a cinco anos, cujos contratos estão a chegar ao fim e que "começam a abandonar o País", continua o reitor de Coimbra.

"As políticas públicas em I&D no nosso país têm, nos últimos anos, sido conduzidas numa base pouco sustentável e sem resultados significativos na economia", considera Pinto Paixão. "Os resultados do IPCTN 2010 confirmam que o esforço feito pelo país, há mais de uma década, em investimento em I&D não tem sido transferido de forma consistente para o sector empresarial e onde, aos primeiros sinais de crise económica, se regista uma retracção", conclui.





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