Finanças Pessoais

21 Jun 2010

Descubra quanto vai receber quando se reformar

Alexandra Brito
Descubra quanto vai receber quando se reformar

Quem entre agora no mercado de trabalho e se reforme daqui a 40 anos vai ter uma pensão equivalente apenas a 60% do seu último salário.

Quem nunca sonhou passar uma reforma dourada, a tomar banhos de sol numa praia paradisíaca a ver o pôr do sol e beber umas margaritas? Se pertence a este clube, então é melhor começar a fazer as contas e a guardar um pé-de-meia com vista à velhice. É que se estiver a contar apenas com o valor da reforma paga pela segurança social, provavelmente não terá um orçamento disponível para viajar para muito longe, ou para beber muitas margaritas. A razão é simples: as pensões estão a encolher. Um fenómeno que se sente desde que entraram em vigor as novas regras da segurança social para o cálculo das reformas dos portugueses. Faz exactamente este mês três anos que as pensões dos portugueses estão sujeitas a novas regras. E os efeitos já são visíveis. Por exemplo, quem se reformar este ano vai sofrer uma penalização de 1,65% (valor definido para o factor de sustentabilidade) no valor da sua pensão. Para evitar este corte, as pessoas terão de trabalhar mais dois a cinco meses. Mas quem se reformar daqui a 20 ou 40 anos verá a sua pensão encolher ainda mais. Segundo as simulações feitas pela sociedade gestora Optimize, a pedido do Diário Económico, uma pessoa que entre agora no mercado de trabalho e ganhe um salário de 1.500 euros, quando chegar à idade da reforma o valor da sua pensão será de apenas 60% do último salário.

Será que as pessoas estão mentalizadas para este corte? A resposta é: não. "A maior parte dos portugueses está consciente de que vai receber uma reforma menor mas não tem a noção da amplitude dessa diminuição", explica Diogo Teixeira, administrador da Optimize. Para ajudá-lo a perceber melhor o impacto que as novas regras vão ter nas pensões, o Diário Económico deixa-lhe três cenários diferentes: o caso de uma pessoa que vai reformar-se este ano, o caso de uma pessoa com 40 anos de idade e que já tem 15 anos de descontos e, por último, o exemplo de uma pessoa que acaba de encontrar o seu primeiro emprego e só se vai reformar daqui a 40 anos. Os números mostram que, consoante o caso, o valor da pensão a receber corresponderá entre 89% e 60% do último salário.

Factores que fazem diminuir o valor das pensões
A antiga fórmula de cálculo das reformas tinha em conta os 10 melhores anos dos últimos 15 anos de trabalho. A nova fórmula (em vigor desde Junho de 2007) tem em conta a média dos salários de toda a carreira contributiva. Este novo cálculo aplica-se a todas as pessoas que se inscreveram na segurança social a partir de 2002. Para os trabalhadores inscritos antes de 2002, as regras são diferentes. Neste caso é aplicado um cálculo misto, tendo em conta a ponderação entre as duas fórmulas: a antiga e a nova. Por exemplo, se uma pessoa tiver hoje 60 anos e se reformar até 2016, o valor da pensão será feito da seguinte forma: são tidos em conta os 10 melhores anos dos últimos 15 anos descontados até 31 de Dezembro de 2006. Os descontos feitos a partir desta data serão calculados segundo a nova fórmula (que tem em conta a média de toda a carreira contributiva). Já para as pessoas que se reformarem depois de 2016 continua a existir uma ponderação entre a fórmula antiga e o método novo com uma alteração: neste caso são tidos os 10 melhores anos dos últimos 15 anos descontados até 31 de Dezembro de 2001. Todos os descontos posteriores a esta data são calculados segundo a nova fórmula.

Mas há mais. Além da fórmula de cálculo ter sido alterada, foi introduzido um novo indicador: o factor de sustentabilidade. Este indicador tem em conta o aumento da esperança média de vida. Por exemplo, em 2009 a esperança média de vida de uma pessoa com 65 anos anos de idade era de que pudesse viver mais 18 anos. No entanto, a tendência é para que esse valor suba cada vez mais. Assim, as estimativas apontam para que a esperança média de vida de uma pessoa com 65 anos em 2040 seja de 21 anos. Perante este dado, é inevitável que o Estado pague pensões durante um período mais longo do que o verificado no passado. Para evitar que este aumento dos encargos ponha em causa a viabilidade do sistema da segurança social, foi introduzido o factor de sustentabilidade no cálculo das pensões. Este factor está a ser aplicado desde 2008 e, na prática, define as reduções progressivas que vão sendo feitas no valor das pensões ao longo dos anos. Para quem se reformar em 2010, o factor de sustentabilidade é de 1,65%.

Confuso com todos estes dados? Não é para menos. Os próprios especialistas admitem que a fórmula de calculo das pensões é "complicada". No entanto, já existem simuladores que permitem fazer uma estimativa de qual será o valor da sua pensão, mesmo que esteja a décadas de chegar a essa meta. O site do ministério da segurança social tem um simulador de pensões disponível no link http://195.245.197.202/simuladorCNP.asp. Também o BPI tem uma ferramenta com este objectivo. No site www.bpipensoes.pt/Simuladores/simuladorppreepensoes.asp é possível não só ter uma ideia de qual será a sua reforma mas também quanto dinheiro vai perder e quanto terá de poupar mensalmente para constituir um complemento de reforma com o objectivo de manter o seu nível de rendimento na velhice. Também a gestora Optimize possui ferramentas semelhantes que podem ser consultadas em www.optimize.pt/index.php/Simuladores.html .

A necessidade de poupança
As simulações permitem vislumbrar um dado impossível de contornar: o valor das reformas pagas será cada vez menor. E para compensar esta perda de rendimento na velhice só há três soluções: ou as pessoas trabalham mais tempo, ou descontam mais durante a carreira contributiva, ou então têm de ir construindo um pé-de-meia para servir de complemento à reforma. Diogo Teixeira da Optimize refere que os consumidores devem colocar de parte cerca de 5% a 10% do salário todos os meses com este objectivo: "Tendo em conta a evolução previsível das pensões, uma poupança de cerca de 5% a 10% do salário mensal permite constituir um complemento significativo para a altura da reforma, com a condição de ser iniciado cedo, de forma a dar tempo para essa poupança acumular e render", explica o especialista. Quanto mais cedo começar a poupar, e quanto maior for a distância da idade da reforma, mais probabilidades tem de fazer crescer o seu investimento. Por exemplo, quem tem neste momento 30 anos e começar a construir um complemento de reforma deverá ter uma exposição de 30% a 50% do seu portfólio às acções, segundo Diogo Teixeira. O peso desta classe de activos deverá reduzir-se progressivamente à medida que o investidor se aproxima da idade da reforma. O Diário Económico dá-lhe a conhecer as aplicações financeiras para a reforma que estão a dar mais ganhos aos investidores nos últimos 12 meses. Entre PPR sob a forma de seguro, PPR sob a forma de fundos de investimento, certificados de reforma e fundos de ciclo de vida, poderá encontrar a solução que mais se adequa ao seu perfil.

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