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Concursos de empreendedorismo dão oportunidade a projectos portugueses de negócios para se desenvolverem num dos maiores “clusters” de empresas do mundo.
Desde o cálculo de rotas para clientes em supermercados à utilização da matemática para reduzir os erros em trabalhos de engenharia, a inovação no empreendedorismo português tem vindo a crescer cada vez mais e pode assumir as mais variadas formas. É esta a conclusão a que se pode chegar quando se olha para os vários projectos que foram destacados na Semana Global do Empreendedorismo, que decorreu de 14 a 18 de Novembro.
Um dos eventos organizados neste âmbito foi o Start-Up Challenge, um concurso nacional organizado pela consultora Leadership Business Consulting, que se encontra instalada em Silicon Valley, nos EUA, um dos mais activos ‘clusters' de empresas no mundo.
"O empreendedorismo pode ser um dos grandes fenómenos económicos das próximas décadas", acredita Carlos Oliveira, ‘managing partner' da consultora. "Numa economia global, caracterizada pela elevada competitividade e transformação, a capacidade de criar novos produtos e novas empresas que resultem do empreendedorismo são a chave para o crescimento económico, para as exportações e para a criação de emprego".
Apoiado pelo BES e pela Fundação Luso-Americana, o concurso contou também com a presença do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, que esteve presente, a 14 de Novembro, no anúncio dos vencedores, que terão como prémio a integração na Plug and Play Tech Center, a mais proeminente incubadora de Silicon Valley, para um programa de aceleração de três meses.
"Numa estratégia de internacionalização é sempre muito importante conhecer as características e cultura própria do país e mercado que pretendemos atingir", explica André Passos, um dos responsáveis, juntamente com Alexandre Madeira, Filipe Pedrosa, Joaquim Tojal e José Miguel Faria, pela Educed, que venceu o concurso com um projecto de desenvolvimento de algoritmos para correcção de erros em projectos de engenharia, especialmente em ‘software' de gestão de sistemas críticos, como a aviação ou o tráfego ferroviário. "Com esta estadia, ganharemos um forte entendimento de como funciona o mercado norte-americano e qual a melhor forma de nos posicionarmos para comercializar os nossos serviços e produtos".
O outro projecto que saiu vencedor no Start-Up Challenge funda-se num sistema informático de cálculo dos percursos habituais dos clientes de supermercados de forma a ajudar as lojas a estudar melhores formas de distribuição e apresentação dos seus produtos. Intitulado Around Knowledge, o projecto é promovido por Roberto Ugo di Cera, Diana Almeida e Suzy Vasconcelos, que acredita que Portugal tem muitos talentos qualificados mas poucas oportunidades para os fazer crescer, um entrave que se prende acima de tudo a uma questão de mentalidade. "Enquanto nos EUA arriscar e perder é sinal de sabedoria e os empreendedores não são marcados pelas suas falhas, em Portugal falhar é o fim da carreira de empreendedor", aponta.
Inovação para sobressair na crise
A promoção do empreendedorismo tem sido, nos últimos anos, uma das maiores apostas tanto do tecido empresarial português como das universidades, tendo algumas das mais atractivas propostas estado em especial destaque na última semana. Propostas como o Concurso InovPortugal, organizado pela Associação Acredita Portugal, que irá ter início em 2012 e pretende atrair qualquer estudante universitário que tenha uma ideia ou projecto inovador que queira colocar em prática. Os prémios para os vencedores ascendem aos 100 mil euros em dinheiro e serviços e, embora ainda não estejam decididos, podem incluir "uma formação em Harvard para projectos na área de gestão e um ‘boot camp' em Silicon Valley para projectos de carácter tecnológico", explica José Miguel Queimado, fundador da Acredita Portugal. "A falta de cultura empreendedora vigente em Portugal foi uma das principais causas para a situação económica complicada que atravessamos e o caminho para sair desta situação passa, obrigatoriamente, por uma melhoria nesta área", defende.
A inovação não se restringe a nenhum modelo específico. Pode ser atingida em projectos de todas as dimensões. Em áreas mais tradicionais ou nos caminhos ainda por explorar das novas tecnologias. Foi nessa última área que se concentrou o concurso "Hackafone", da Vodafone, que teve lugar a 18 de Novembro, e que se manifestou num encontro de pessoas que se juntaram para, durante uma maratona de 18 horas, idealizar, conceber e apresentar um protótipo de uma ‘App' original para iPhone ou Android, com os dois melhores projectos a serem finalizados pela Muchbeta e integrados no mercado de ‘Apps'.
Inovação como solução para a crise. É esta a esperança que muitos dos nossos empresários guardam para o futuro. Para Henrique Fonseca, director de Serviços de Internet Móvel e Conteúdos da Vodafone Portugal, embora seja verdade que a crise traz consigo óbvias quebras no financiamento de novos projectos, "para aqueles com maior capacidade de criar valor e angariar apoios que ajudem na mitigação do risco, esta fase poderá ser encarada como uma oportunidade de sobressair".
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