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Bolsa

Descubra as acções que vão dar dinheiro até ao fim do ano

Marta Marques Silva  
18/08/09 08:24

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As bolsas já estão a antecipar um cenário de recuperação económica. Conheça os sectores e as acções que os analistas dizem que vão subir mais até ao fim do ano.

Primeiro as más notícias: as previsões dos especialistas não antecipam grandes subidas nas bolsas até ao final do ano. Agora as boas notícias: apesar disso, continuam a existir "tesouros" escondidos no mercado.

Desde os mínimos de Março, EUA e Europa escalaram mais de 40%, naquela que foi a maior subida desde a Grande Depressão, em apenas cinco meses. Ainda assim, o HSBC salienta que "o contexto é tudo e o facto de estarmos apenas nos níveis pós-falência do Lehman Brothers diz-nos muito". Isto porque, de acordo com os especialistas, a actual incerteza de uma recuperação económica sustentada é bem melhor do que a realidade de há nove meses, quando o sistema financeiro desmoronava, os indicadores económicos seguiam em queda livre, o apetite pelo risco era nulo e o VIX atingia máximos históricos.

Significa isto que as bolsas vão subir mais 40% no segundo semestre? "Apesar de continuarmos ‘bullish' nas acções para os próximos 12 a 18 meses, os mercados não sobem numa linha recta para sempre. Os ganhos recentes poderão necessitar de um período de consolidação antes de avançarem para níveis mais altos", comentavam os analistas do Citigroup em ‘research' de 6 de Agosto.

Consolidação é a nova palavra de ordem, partilhada por casas como o Bank of America/ Merrill Lynch, HSBC ou BNP Paribas. Ou seja, até ao final do ano o consenso não espera ganhos expressivos a partir dos actuais níveis. O Citigroup estudou mesmo o comportamento do mercado após ‘rallies' de 50% e concluiu que, nos cinco anos seguintes os ganhos anualizados rondam os 7% (cerca de 10% com dividendos). Ainda assim, dadas as características do actual ‘bear market', os especialistas não descartam a hipótese de uma subida de 15% a 20% até ao final de 2010. São vários os factores que entram na equação optimista dos analistas: as avaliações dos títulos, a melhoria dos indicadores macroeconómicos, cujo efeito das medidas governamentais ainda não atingiu o pico, a melhoria dos resultados das empresas, um mercado de crédito mais forte e, principalmente, os elevados montantes de liquidez que ainda não voltaram ao mercado.

Recursos básicos e ‘telecoms' são os sectores preferidos

De acordo com os ‘researchs' do último mês das principais casas de investimento internacionais, os sectores favoritos continuam a ser os cíclicos, apesar das recentes subidas. Contudo, os especialistas alertam para a importância da escolha de títulos de qualidade dentro do risco. Na liderança das preferências dos analistas estão os recursos básicos. Na Europa, é o sector que mais sobe desde o início do ano (52,3%), mas o aumento da procura associado à recuperação económica, a par dos cortes na produção e da diminuição dos stocks, deverão continuar a dar suporte ao sector. Dentro dos cíclicos, destaque também para o sector da indústria e materiais e ‘oil & gas', cuja performance desde Março ficou bastante aquém dos seus pares (21,7%).

Dadas as melhores perspectivas económicas, o aumento da confiança dos investidores e a possibilidade de consolidação da recente performance dos mercados, os especialistas estão confiantes que os sectores que ficaram fora do ‘rally' sejam os próximos a recuperar. Neste lote encontram-se as ‘telecoms', alimentação e bebidas e serviços de saúde e farmacêuticas. Subiram, desde os mínimos de Março, 19,4%, 28,5% e 20,7%, respectivamente, o que compara com ganhos de 44,7% do mercado europeu. Já o sector das ‘utilities' não é consensual. Embora seja o único sector europeu que continua negativo desde o início do ano - perde 7,3% - várias casas de investimento continuam a atribuir-lhe uma recomendação de ‘underperform'. Não é o caso da JPMorgan: "Vemos vários suportes no curto-prazo: avaliações atractivas, dividendos estáveis e uma subida nos preços da energia", concluem.

Recursos Básicos

É o sector que reúne maior consenso entre os analistas. Apesar da subida de 71% desde os mínimos de Março, as perspectivas de recuperação económica, associadas ao facto de o aumento da produção não ser imediato, isto depois de cortes agressivos nos últimos meses, continua a dar suporte ao sector. A principal ‘top pick' dos analistas é a BHP Billiton, a maior empresa mundial do sector, com uma capitalização bolsista superior a 160 mil milhões de dólares. A empresa comercializa uma vasta gama de recursos naturais, do alumínio ao cobre, petróleo, gás, urânio, zinco, ouro e até diamantes, entre muitos outros. A Vale, a Monsanto e a Freeport McMoRan, uma ‘top pick' clássica, estão também entre os títulos preferidos dos analistas.

Telecomunicações

Visto até há poucos anos como um sector cíclico, as ‘telecoms' conheceram recentemente uma mudança no seu perfil. Disso mesmo é exemplo o seu desempenho em 2008: foi o terceiro sector que menos caiu, só ultrapassado por serviços de saúde e ‘food & beverage'. A sua nova característica de sector não cíclico está igualmente patente na performance em 2009: é o segundo sector que menos sobe desde os mínimos de Março (19,4%) e, desde o início do ano, ganha apenas 2,4%. As perspectivas de consolidação nos mercados levam os especialistas a estimarem uma recuperação dos sectores que ficaram fora do recente ‘rally' e as ‘telecoms' encontram-se neste lote. Entre as acções preferidas estão a Vodafone, a KPN e a Telefonica.

Serviços de saúde e farmacêuticas

São várias as ‘top picks' das casas de investimento dentro deste sector. A Roche, a Bayer e a Smith & Nephew são as que reúnem maior consenso. Enquanto os dois "gigantes" farmacêuticos sobem "apenas" 2,2% e 4%, respectivamente, em 2009, a Smith & Nephew avança 9%. Esta última é uma das empresas preferidas do Citigroup e do BNP Paribas. Desenvolve, produz e comercializa aparelhos ortopédicos que incluem reconstrução, trauma, terapias clínicas e endoscopia. Entre as preferências dos analistas estão também a Astrazeneca, a Novartis e a Sanofi-Aventis. O sector europeu de ‘health care' foi o que menos caiu em 2008 (-17,8%) e é dos que menos sobe em 2009 (20,7%). Os analistas antecipam uma recuperação do sector.

‘Oil & Gas'

É um dos sectores cíclicos preferidos dos analistas, já que embora tenda a reagir a perspectivas de recuperação económica, a sua performance desde os mínimos de Março ficou aquém da registada pela maioria dos sectores cíclicos. Subiu 21,7% o que compara com ganhos de 44% do mercado europeu. A BP é a petrolífera que reúne maior consenso entre as grandes casas de investimento internacionais. O BNP Paribas e a Morgan Stanley destacam também - utlizando como critérios o binómio risco-retorno e catalisadores de curto-prazo - a BG, a Total, a Tullow e a Repsol. Já na área do gás natural, o destaque vai para a GDF Suez. O preço do petróleo, que está intimamente ligado à performance desta indústria, tem vindo a recuperar, batendo a 8 de Agosto máximos de 10 meses.

Alimentação e Bebidas

É o sector não cíclico por excelência, em especial na área dos bens alimentares. Desde Março avança 28,5% e os analistas esperam que venha a recuperar na fase de consolidação esperada até ao final do ano. Contudo, é necessário notar que, numa altura de apetite pelo risco, o ‘appeal' deste sector será sempre menor . Entre os títulos preferidos estão a Nestlé e a Cadbury, cujo desempenho neste rally não foi além dos 1,8% e -3,72%, respectivamente. Uma performance que não se assemelha à registada pelas empresas de bebidas favoritas dos analistas. Apesar de subir 121% desde o início do ano, a Carlsberg continua a ser um dos títulos preferidos, a par da Heineken, que sobe 29% em 2009. Já no retalho alimentar o destaque vai para a Ahold, Carrefour, Morrison e Tesco.

Indústria e Materiais de base

Entre os sectores cíclicos é, a par dos recursos básicos, o que reúne melhores perspectivas entre os analistas. E aqui é necessário destacar um "subsector" específico: o do aço. A confiança dos analistas é tal que lhe dedicam ‘researchs' individuais. O aumento da procura associado a uma insuficiente reposição de ‘stocks' e a um aumento do preço do material têm contribuído para a melhoria do sentimento. Duas empresas estão entre as principais ‘top picks' dos analistas: ArcelorMittal e ThyssenKrupp. Já nos EUA a preferência recai na Steel Dynamics e na Cliffs Natural. Entre os critérios subjacentes a esta escolha estão a exposição a mercados emergentes, crescimento das vendas e margens e avaliações atractivas. Na indústria, destaque ainda para a Lafarge e a Caterpillar.





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