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Isabel Moreira escreveu um 'email', a que Económico teve acesso, a justificar ter votado de forma diferente da restante bancada.
Isabel Moreira escreveu esta manhã um 'email' a António José Seguro e Carlos Zorrinho, a que o Económico teve acesso, a explicar porque votou contra a proposta socialista de manutenção de um dos subsídios para a Função Pública.
A deputada independente votou ontem contra a bancada socialista e ao lado das propostas do BE e PCP, que propunham a manutenção dos subsídios de Natal e Férias, violando, assim, a disciplina de voto que tinha sido determinada pela direcção socialista para questões como as orçamentais.
No 'email', Isabel Moreira - que assinou recentemente o manifesto de Mário Soares a apelar à mobilização da esquerda contra a austeridade - justifica que só viola a disciplina de voto "por razões de consciência profunda" e lembra que desde sempre e em vários fóruns - debates, grupo parlamentar e comunicação social - defendeu a inconstitucionalidade da proposta do Governo de corte de um dos subsídios para a Administração Pública e de uma pensão para os pensionistas.
A deputada independente, em jeito de desculpa e justificação da sua actuação contrária à direcção, lamenta que no dia de ontem não tenha havido uma reunião com o grupo parlamentar para se comunicar qual devia ser o sentido de voto no que respeita às propostas sobre os subsídios. Durante a manhã, Seguro anunciou que o PS iria votar a favor da proposta da maioria que aumentava o limite mínimo a partir do qual poderia haver o corte de subsídio e da pensão.
Mas a decisão do secretário-geral socialista caiu mal na bancada, com vários deputados a enviarem emails à António José Seguro e Carlos Zorrinho, líder parlamentar, a ameaçarem violar a disciplina de voto se Seguro insistisse em votar a favor daquela proposta. Lembrando que estavam apenas vinculados à decisão da Comissão Política, que tinha sido a abstenção. Ao longo do dia, o líder socialista foi recuando e o PS acabou por se abster, considerando que a proposta da maioria ficava aquém do desejado.
Isabel Moreira confessa no 'email' que "ontem foi a confusão que todos testemunharam" e remata:"pensei que era para votar num sentido e depois noutro". A deputada prossegue: "Senti-me numa zona cinzenta, entre a inteligência e a consciência de meses a negar uma postura inversa e as circunstâncias descritas levaram-se a votar de acordo com o que foi o meu verbo durante meses".
E remata, defendendo a importância da disciplina de voto e garantindo que na votação final global o PS pode contar com a sua abstenção.
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