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David Almas é jornalista especializado em Finanças Pessoais há mais de uma década e recentemente publicou o livro “Como Salvar a Minha Reforma”.
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David Almas conta como a disciplina na poupança e no investimento revelam-se no único caminho para ter uma reforma tranquila.
São mais de três décadas que separam David Almas da idade de reforma legal (65 anos). Contudo, o autor do livro "Como Salvar a Minha Reforma" e mestre em Finanças já está a amealhar para os seus "anos dourados" porque, como argumenta no livro, quanto mais cedo começar a ser feita a poupança menor será o esforço no futuro. No capítulo do investimento, David não tem dúvidas em seguir uma estratégia centrada no mercado accionista porque, "no longo prazo, as acções rendem mais", diz.
Há quanto tempo investe em bolsa e qual foi a primeira empresa da qual se tornou accionista?
Foi em 2000 na ParaRede, que, entretanto, se transformou na Glintt. Porém, cheguei à conclusão que investir directamente no mercado é penalizador para os pequenos aforradores, como eu. Os impostos e as comissões de intermediação roubam uma grande parte dos rendimentos. É por isso que agora invisto em acções através de um fundo de investimento.
Recorda-se de quanto esse investimento lhe deu a ganhar?
Não ganhei. O prejuízo foi percentualmente enorme, embora tenha investido muito pouco dinheiro. A compra foi efectuada já depois da bolha tecnológica ter rebentado. Aprendi muito nessa altura.
Esse foi o pior investimento?
Apesar da forte perda na ParaRede, que provavelmente foi o prejuízo percentual mais elevado que alguma vez tive, acredito que o meu pior investimento foi num plano poupança-reforma (PPR). Aconteceu pouco tempo depois de ter recolhido o que me sobrou da ParaRede. Tal como a maioria dos portugueses, não estudei o produto antes de o seleccionar. Logo no dia seguinte à subscrição, percebi que o banco tinha ficado com 2% da minha poupança e que isso iria acontecer sempre que reforçasse o pé-de-meia. Acabei por abandoná-lo, pagando mais 2% à saída.
É uma das razões porque, no seu livro "Como Salvar a Minha Reforma", faz uma forte crítica aos PPR?
As elevadas comissões são uma das razões. Além disso, em geral, os PPR não rendem o suficiente para conseguir completar as pensões de reforma. Desde que foram lançados, em 1989, os PPR renderam menos do que os certificados de aforro. Os benefícios fiscais, que sempre funcionaram como campanha de marketing gratuita para os bancos e seguradoras, são também uma miragem.
Qual foi o maior erro que cometeu na gestão do seu dinheiro?
Tal como no caso do PPR, no início da minha vida activa fiz algumas aplicações apenas por sugestão dos funcionários bancários. Sei agora que é um pecado capital.
Qual é o instrumento financeiro que recorre com maior frequência para gerir as suas poupanças?
Sigo exactamente a táctica sugerida no livro: tenho um fundo, o BPI Reestruturações, e certificados de aforro. A rendibilidade anual que obtive através da poupança mensal no fundo é de cerca de 13%, uma marca que dificilmente conseguirei manter. Agora estou a estudar fundos de índice. Gosto do facto de terem comissões reduzidas. O Fidelity Euro Stoxx, por exemplo, cobra apenas 0,6% por ano. No entanto, demoro mais tempo a eleger um fundo do que um frigorífico.
E qual foi o último investimento que realizou?
Foi um reforço no BPI Reestruturações.
Como costuma reagir quando os seus amigos e familiares pedem-lhe "dicas" de investimento?
Dou. Todavia, as minhas dicas resumem-se a estratégias de poupança. Regra geral, digo três coisas: cria um mealheiro de emergência, desenha uma carteira que te permita dormir à noite (de preferência de fundos) e aforra todos os meses, sem excepção.
Qual foi o melhor conselho que lhe deram e que até hoje utiliza na aplicação do seu dinheiro?
"No longo prazo, as acções rendem mais." Acredito seriamente nisto, se assim não fosse não tinha a minha poupança de reforma num fundo de acções. O "meu" longo prazo mede-se em décadas e não em anos.
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