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A defesa de Carlos Cruz voltou hoje a alegar, no julgamento do recurso do processo Casa Pia pelo Tribunal da Relação de Lisboa, que o apresentador de televisão "está inocente" e que não conhecia as vítimas, nem os locais onde ocorreram os abusos sexuais.
"Não foi exibida qualquer prova de que Carlos Cruz conhecia as vítimas", enfatizou o advogado Ricardo Sá Fernandes, dizendo que o apresentador, que esteve preso 15 meses, foi condenado no julgamento de primeira instância devido a depoimentos "maléovolos e fantasiosos de meia dúzia de jovens", cujos depoimentos foram "contraditórios".
Ricardo Sá fernandes falou ainda do sucesso profissional de Carlos Cruz antes do escândalo rebentar e das dificuldades financeiras que atravessa actualmente, estando "psicologicamente destroçado". O julgamento do recurso do processo Casa Pia pelo Tribunal da Relação de Lisboa começou cerca das 15:00, com o presidente do coletivo, Rui Rangel, a falar sobre a metodologia da audiência e a relatora do processo, desembargadora Guilhermina de Freitas, a fazer uma breve sínteses do acórdão recorrido.
Para o defensor de Carlos Cruz, o tribunal de primeira instância, presidido por Ana Peres, analisou os factos e os depoimentos em julgamento de "forma acrítica" e "emocional", tendo-se o tribunal "colocado numa posição de um polígrafo", tentando descobrir a verdade de forma pouco racional.
"Há muito mais do que a dúvida razoável", disse Ricardo Sá Fernandes, que criticou não só o coletivo de primeira instância, mas também o procurador do Ministério Público João Aibéo, por isistirem numa acusação apesar de "não ter sido encontrada uma única prova que corroborasse as imputações das vítimas".
O causídico expôs as diversas incongruências do julgamento de primeira instância e o "discurso ilógico" das alegadas vítimas que incriminaram Carlos Cruz, dando como exemplo situações ocorridas numa casa situada na Avenida das Forças Armadas, em Lisboa.
Perante estas e outras vicissitudes, Ricardo Sá Fernandes pediu também ao tribunal da Relação que declare "nula" a parte condenatória relativa aos abusos sexuais atribuídos a Carlos Cruz num casa em Elvas.
O defensor do apresentar de televisão voltou a dizer que "a mentira tem pernas curtas", ao expor supostas contradições nos depoimentos dos jovens sobre a data e os locais exatos em que os crimes se verificaram.
Criticou ainda a forma vaga como alguns dos crimes foram atribuídos a Carlos Cruz, com uma "inconsistência" que não é compatível com a realidade, observando que nas "imputações destes rapazes" que acusam o apresentador "nunca há detalhes".
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