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António Borges critica o 'chumbo' do Tribunal Constitucional aos cortes nos subsídios, mas diz que Portugal será um caso de sucesso.
Em entrevista ao jornal Público, o economista e consultor do governo para as privatizações, renegociação das PPP e reestruturação da banca, deixa críticas à decisão do Tribunal Constitucional (TC), que declarou a inconstitucionalidade dos cortes dos subsídios aos funcionários do sector público e aposentados. Para António Borges trata-se de uma decisão que "terá consequências económicas de uma gravidade extrema", em particular, "para a margem de manobra com que este governo, ou outro, ficará para no futuro fazer certas correcções". "E podemos interrogar-nos se é o que mais interessa ao país", acrescenta.
Para o antigo responsável do FMI, onde liderva o Departamento europeu, incluindo a Rússia e a Turquia, as implicações do parecer do TC apenas se sentirão em 2013 e o governo encontrará "soluções" alternativas que não comprometem as metas acordadas com a troika.
Questionado sobre se haverá mais austeridade, António Borges responde: "Não me parece que seja importante ir para além" da que já há.
Na entrevista, o consultor do governo de Passos Coelho manifesta-se optimista de que o país será um caso de sucesso entre os países resgatados, considerando que o ajustamento "foi muito, muito rápido" e os problemas da poupança e do défice comercial estão resolvidos. Para António Borges falta agora regressar ao crescimento e as condições estão criadas.
Apesar de salientar que os bancos portugueses já estão recapitalizados, o economista admite que o crédito não chega à economia, porque os banqueiros enfrentam "uma grande hostilidade" e "querem ter a maior almofada de liquidez para se precaverem pois não sabem se amanhã os políticos os deixam cair".
António Borges revela ainda que passa parte do seu tempo "a falar com investidores estrangeiros, aqueles que querem entrar no momento certo, quando a economia começar a dar a volta, no ponto mais baixo, que é o momento de entrar. E há quem pense que já estamos nesse ponto."
Ao Público, o economista explica pela primeira vez que saiu do FMI por causa das mudanças impostas pela nova directora do Fundo, Christine Lagarde. Borges, que tinha sido escolhido pelo ex-director Dominique Strauss Kahn, revela que, com Lagarde, a Europa deixou de ser uma prioridade.
O conselheiro do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho acrescenta que não partilhava dessa visão e que, nesse contexto, a sua presença já não se justificava. E diz ainda que a directora do FMI está mais alinhada com as orientações anglo-saxónicas.
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