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João Marques de Almeida

De Berlim a Lisboa

09/11/09 00:07 | João Marques de Almeida 



Celebra-se hoje os vinte anos do derrube (não foi uma “queda” natural, convém recordar) do Muro de Berlim.

Há cerca de uma semana (no passado dia 3), O presidente Klaus assinou o instrumento de ratificação do Tratado de Lisboa, permitindo assim a sua entrada em vigor no próximo dia 1 de Dezembro. Conclui-se deste modo um período de vinte anos da política europeia, durante o qual a União Europeia se ajustou à nova Europa que emergiu dos destroços do Muro.

As coisas não correram tão bem como os mais optimistas esperavam (não nos podemos esquecer das guerras jugoslavas), mas correram bem melhor do que dizem os mais pessimistas. Há muito mais liberdade, bem-estar e justiça social do que havia há vinte anos. A Alemanha reunificou-se de um modo pacífico, e mantendo-se integrada no "Ocidente", o que não era evidente há vinte anos. A União Europeia alargou-se a todos os antigos países comunistas da velha "Europa de leste", incluindo as três repúblicas Bálticas. Provavelmente, o maior sucesso da integração europeia dos últimos vinte anos.

Como é natural, estas alterações profundas exigiram ajustamentos políticos e institucionais. A Europa (e nomeadamente a França e o Reino Unido) foi obrigada a adaptar-se a uma Alemanha reunificada e a União a trabalhar e a funcionar com 27 países. Os sucessivos tratados (Maastricht, Amesterdão, Nice e Lisboa) surgiram neste novo contexto político. Há, porém, uma diferença fundamental entre o Tratado de Lisboa e os outros. Após Maastricht, Amesterdão e Nice, começou logo a falar-se do próximo tratado. Após Lisboa, há sobretudo um enorme alívio e uma vontade geral, nomeadamente nos países mais influentes, em não discutir tratados durante uns largos anos. O Tratado de Lisboa encerra assim um período de vinte anos da história europeia, durante o qual a Europa mudou de uma maneira impossível de prever em 1989.

O próximo desafio estratégico para a União passou da Europa para o mundo. Se nos últimos vinte anos se ajustou à Europa unida, agora terá que se adaptar a um mundo novo. O Tratado de Lisboa ajudará mas não será suficiente. A vontade política e a capacidade para pensar estrategicamente o mundo do século XXI serão fundamentais.
____

João Marques de Almeida, Membro do Gabinete do residente
da Comissão Europeia e Professor universitário

 




Comentários (3)

Red Penguin, | 09/11/09 08:58
Com menos de 200 kms o muro de Berlin não passava de uma "vedação" comparado com o que separa actualmente o México dos EEUU. Caído o de Berlin olhemos para os edificados em Mellilla, Israel, Birmânia, Colômbia, Chipre, China...


LOPES CARLOS, Bélgica | 09/11/09 07:20
1. A vida tem um elemento permanente : a Mudança. Mesmo quando se estudam certos periodos historicos aparentemente estagnados à superficie, verifica-se que grandes mudanças estão a ocorrer em profundidade. Sempre assim foi, sempre assim será. Felizmente, não há um FIM da História.
2. Antes do fim do Bloco de Leste, vários Autores concretos publicaram LIvros concretos, Ensaios concretos, Papers académicos concretos, prevendo o fim das experiencias do Socialismo Real. Foram muito mal recebidos quer à esquerda, quer à direita. Cito apenas Emanuel TODD.
3. Curiosamente, alguns desses Autores , como Emanuel TODD , publicaram Livros concretos prevendo o fim do império americano AINDA ANTES da actual crise financeira global. Embora TODD tenha apresentado argumentos sérios ( de ordem aconomica, financeira, social, demografica) , tenha apresentado um verdadeiro "modelo" para explicar esse fim de ciclo,etc, o Livro não foi bem acolhido.
4. A crise actual demonstrou que não há real alternativa à Democracia e ao Mercado. Mas, novas formas de participação, novas formas de controle , novas formas de Governança e novo reajustamento global e regional são necessários. É uma questão de Sobrevivência.



vg, | 09/11/09 00:22
Com o Tratado chegou altura pars estabilizar o processo de integração e harmonização.A chamda crise económica agrvou problemas que urge resolver


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