Dambisa Moyo, uma economista africana (do Zâmbia), educada em Oxford e Harvard, publicou no final de 2008 um livro que tem sido muito discutido nos meios que se dedicam às políticas de desenvolvimento e ajuda.
"Dead Aid" tem causado controvérsias, dada a sua polémica tese: como indica o sub-título do livro ("Why Aid Is Not Working and How There Is a Better Way for Africa"), a autora argumenta que as políticas de ajuda não trouxeram desenvolvimento ao continente africano e, nesse sentido, fracassaram. Moyo conclui mesmo de um modo radical afirmando que a ajuda faz parte do problema e não da solução. Apesar do tom provocador, o argumento merece consideração. Como observou Paul Collier sem cerimónias, numa crítica muito positiva do livro, o que está em causa é o bem-estar das sociedades africanas, e não a boa consciência europeia ou o modo de vida profissional de centenas de milhares de funcionários ocidentais.
Convém, antes de mais, entender devidamente o que diz a autora. Não está em causa a necessidade da ajuda em situações excepcionais ou trágicas. Por exemplo, como resposta a desastres naturais ou a crises humanitárias. Além disso, como reconhece Moyo, em muitas partes de África, a ajuda continua a ser fundamental para combater a fome e os problemas de saúde básicos. O que a autora considera é que a ajuda como mecanismo de crescimento económico e combate à pobreza fracassou. Moyo concentra-se apenas nas políticas de ajuda governamentais. Reconhece que a participação de certas Organizações Não-Governamentais tem resultado em ajudas directas aos cidadãos africanos e tem contribuído para um certo fortalecimento das sociedades civis africanas.
Um dos pontos centrais do argumento de Moyo diz respeito à responsabilidade política dos governos. Se a principal fonte de receita vem do exterior e não da produção das suas populações, os executivos não sentem obrigações perante os seus cidadãos. Ou seja, em termos globais, o resultado das políticas de ajuda foi um fortalecimento excessivo do poder central e um enfraquecimento das sociedades civis. Um dos resultados das políticas de ajuda foi o sub-desenvolvimento da noção de cidadania em África.
De um modo interessante, Moyo recupera o conceito de desenvolvimento do prémio Nobel da economia, Amartya Sen: um conceito essencialmente político, e não meramente económico, cujo objectivo final deverá ser a liberdade e o bem-estar dos cidadãos e a responsabilidade das instituições políticas. Para se alcançar este objectivo, é fundamental que se dê uma mudança de paradigma: da ajuda ao investimento.
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João Marques de Almeida, Professor universitário
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Assino por baixo. A autora tem carradas de razão. E a prova disso mesmo, são está nos acordos que a UE, tem estabelecido com esses países, a título de “ajuda”. Na prática, permite-lhes exportar artigos primários, sem valor acrescentado tecnológico, como produtos agrícolas tropicais e pouco mais. Ajuda seria, se esses países pudessem ter acesso sem restrições ao mercado europeu, começando pelo agrícola... Dispensando tanta directiva, lesgislação, regras e outras tretas de Bruxelas a que orgulhosamente, e com conhecimento de causa...Ah! Pois! Mas isso não pode ser pois não? É que assim, os gordos e ineficientes agricultores europeus teriam concorrência, e borocracia de Bruxelas teria de mandar muitos funcionários para casa porque não teria de distribuir tanto subsídio. Depois lá se ía um emprego porreiro que permite andar a comentar notícias do DE nas horas de expediente. Não é verdade sr. Lopes?
Não é novidade, que atrás da ajuda aos países africanos, há muita gente a ganhar dinheiro ( funcionários das ONGs, funcionários da UNICEF, funcionários do PAM, etc. ), mas há uma parte considerável da fatia, que entra nos bolsos das chamadas elites africanas. O povo, esse desgraçado, continua a viver mal. No entanto, apesar de tudo, ainda seria muito pior se não recebessem ajudas dos organismos internacionais. Por exemplo, o programa alimentar PAM, é o 112 dos famintos, que sobrevivem graças a esta ajuda, caso contrário morriam rapidamente. Como fazer ? O correcto, seria entregar directamente a juda às pessoas que dela necessitam. E os interesses particulares permitem ? Claro que não. Isso não lhes interessa. É uma hipocrisia completa
Em África todo o mundo "tira o chapéu" ao Nelson Mandela esquencendo o Frederik LeKlerc ! Ambos trabalharam para o mesmo objectivo e felizmente o apartheid parece ter diminuído ! Olhando para as equipas governamentais, em Portugal, de Sá Carneiro até Sócrates, a Mulheres têm lugares "decorativos" nos Governos. Para não falar no Banco do Governador Constâncio ou nas administrações do BCP, CGD, EDP, Galp ou PT ! Nas oportunidades dadas às Mulheres portuguesas, Portugal é uma nódoa ! Será influência da Igreja, onde as Mulheres não têm a possibilidade de ter estatuto igual ao dos homens ?
A regulamentação comunitária conhecida na giria como "TUDO MENOS AS ARMAS "( "Tout sauf les armes") permitiu aos Países Menos Desenvolvidos exportar os seus produtos para a UE em muito boas condições. Vejam, por favor, o caso do Açucar e vejam os beneficios evidentes para os pequenos plantadores locais .
Concordo muito com o autor (ou melhor, com o livro da economista africana) e, desculpem lá, discordo dos comentários de <vg> e <Conselheiro sentado>. Antes dizia-se o mesmo das mulheres que hoje se diz dos africanos. E essa ideia mudou. As mulheres não são inferiores aos homens (bem, olhando para a nossa política e em especial para os líderes dos nossos partidos, às vezes parece que não) e os africanos não são inferiores aos brancos. Vocês já repararam na quantidade de africanos que se atiram ao mar num “cayuco” de meia dúzia de metros para lutarem por uma oportunidade mínima aqui na Europa? E, de facto as políticas de ajuda do Ocidente têm servido apenas para alimentar a corrupção, aniquilar os agricultores locais e favorecer o escoamento de produtos agrícolas do Ocidente.
1. O ensinamento " ensinar a pescar, em vêz de dar o peixe " é geralmente atribuido a Confucio.
Como previu o pensador Li Iutang ,no livro classico " Nós, os Chineses" ( prefaciado muito mais tarde pelo Presidente Mao , para "enquadrar a obra no seu contexto" ), os Comunistas venceriam a guerra civil , mas instalados no poder, a milenar cultura chinesa "transformaria" o novo regime ). Não me admira que no discurso de Dirigentes Chineses surjam citações dos inumeros Pensadores Chineses.
2. Por mero acaso, assisti ao Doutoramento "honoris causa " do Senhor Professor A. Sen na Universidade de Exeter, em 19 de Janeiro de 2008. Foi notavel o seu "discurso de aceitação do Grau". A sua Sabedoria só tem paralelo na sua Simplicidade. Surpreendente, foi o Vigor e a Luminosidade do "Discurso de Abertura" da então nóvel Chanceler daquela Universidade.
Já lá vão uns bons anitos e dizia-me um companheiro que, nós em S. Tomé não gostamos muito de trabalhar ! Gostamos mais de ser ajudados ! Como a natureza lhes facilita a vida, o calor convida a banhos e as "ladies" fazem crescer água na boca, para quê trabalhar ? Aguardemos é pelos vícios e estragos que o futebol vai deixar na África do Sul !
Estamos na tradicional leitura maoista de que não se deve dar o peixe ,mas ensinar a pescar.Àfrica tem condições dificeis para o investimento,devido a factores conhecidos,que vão da corrupção à baixa preparação da população.Se até nós ,que somos parte da Ibéria ,temos essas dificuldades,ha´que reconhecer que não vai ser breve a recuperação africana