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Emprego

Crise força patrões a recorrer mais aos contratos a prazo

Manuel Esteves e Mónica Silvares  
17/11/09 00:05

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1 leitores

Sete em cada oito pessoas que entraram no mercado de trabalho este ano, sem anterior experiência profissional, foram contratadas a prazo.

"Hoje contratei um director fabril a termo incerto", conta Albano Alves, empresário responsável por uma ‘holding' de sete empresas de várias áreas, da transformação do papel ao imobiliário. Esta contratação vem pôr fim a um período de vários meses durante o qual este patrão não integrou novos funcionários. A fábrica de papel que vai inaugurar, em Janeiro, em Sintra, obriga à contratação de novos quadros. Todos a prazo. "Vamos recrutar algumas pessoas a termo, outras à experiência", diz. E justifica: "Os trabalhadores são uma carta fechada". Para esta opção contribui também a lei laboral, excessivamente burocrática e pouco transparente, segundo o empresário.

Albano Alves não é um caso isolado. Pelo contrário, esta é uma opção cada vez mais comum entre os empregadores e a única opção para a esmagadora maioria das pessoas à procura de emprego. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), sete em cada oito pessoas contratadas há menos de 12 meses e sem experiência de trabalho anterior encontram-se numa situação precária: a maioria está a prazo, mas também há quem esteja com recibos verdes ou noutro tipo de situações instáveis não especificadas pelas estatísticas.

A evolução verificada nos últimos anos é clara. Em 1998, dois terços (65,8%) dos primeiros empregos (com menos de 12 meses) eram precários. Em 2005, ano em que José Sócrates assumiu o cargo de primeiro-ministro, esta percentagem já era de 76,1%. No segundo trimestre deste ano, chegou aos 84,4%.

 

 





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Comentários (2)

NapoLeão, | 17/11/09 08:01
O "chip" que está instalado na cabeça dos patrões é que está a prazo. O País está a prazo. As vidas estão a prazo. Vivemos ou sobrevivemos num País precário "entretido" com o futebol da selecção do Madaíl & Cª.


pedro, | 17/11/09 02:15
Ahahaha... sempre recorreram, a todos os expedientes, não é só em época de crise. Mesmo no tempo das vacas gordas, a prática corrente era tudo a prazo durante 3 anos e depois rua quer a empresa estivesse bem ou não. Os empresários têm horror à palavra compromisso. Por outro lado, exigem dos funcionários mundos e fundos, verdadeiros one man shows....
Engraçado que são os empresários portugueses que mais têm esta atitude, nas multinacionais onde trabalhei, regra geral eram 6 meses à experiência e deppois ou ia embora ou entrava nos quadros. QUando tinham de sair, pagavam o que manda a lei e pronto...


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