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Seja medida pelo INE, seja pela Marktest, a confiança dos portugueses está em queda livre, à custa da austeridade.
A crise orçamental que o país atravessa e a consequente austeridade imposta pelo Governo estão a arrasar a confiança dos portugueses na economia. A sondagem levada a cabo pela Marktest mostra que são muito poucos os que acreditam numa melhoria da situação, seja do país ou do agregado familiar, no próximo ano. E o índice geral de confiança caiu para mínimos históricos.
Nem a recessão mundial assustou tanto as famílias portuguesas como a actual crise de dívida do euro. Em Maio, o índice de expectativa da Marktest recuou para 24,4 pontos. Segundo a metodologia da sondagem, isto significa que os portugueses estão neste momento num estado de "pessimismo acentuado", uma barreira que não chegou a ser ultrapassada durante a recessão no ano passado, nem mesmo no último mês de 2008, pouco depois da falência do Lehman Brothers.
A maioria dos portugueses, perto de 60%, acredita que a sua situação e do seu agregado familiar vai estar pior daqui a um ano. E apenas 10% acreditam que a situação vai melhorar. Os valores sobem um pouco mais quando toca a analisar a evolução do país, com 61% dos inquiridos pela Marktest a dizer que a tendência é para as coisas piorarem. Um pouco menos de 15% acredita que a economia nacional vai estar melhor no início de 2011.
Apesar da turbulência, o Governo tem-se esforçado por enfatizar apenas as coisas positivas que têm surgido, como, por exemplo, o crescimento de 1% do PIB no primeiro trimestre. Mas o optimismo do Executivo tem passado sobretudo para os portugueses cuja tendência de voto é próxima do Governo. Pouco mais de 16% dos inquiridos afectos ao PS diz que a situação do seu agregado familiar tem tendência a melhorar, contra pouco mais de 11 do PSD. Na análise ao país sucede o mesmo mas em maior escala. Mais de 30% dos portugueses afectos ao PS diz que a economia nacional vai estar melhor daqui a um ano, contra 12% do PSD.
Consumidores mais pessimistas, empresários em contraciclo
É mais uma prova que Portugal é um país de contrastes. A confiança dos consumidores, medida pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), tornou a cair em Maio e está já em mínimos de 10 meses. Em sentido contrário andam os empresários, cujo índice de confiança continua a melhorar.
De acordo com o INE, a confiança dos consumidores portugueses deslizou em Maio para os 38,3 pontos negativos, face aos 36,7 registados no mês anterior. Para o INE, o que mais está a penalizar o indicador são "as expectativas sobre a evolução da situação económica do país", numa altura em que Portugal enfrenta uma crise orçamental, com dificuldades de financiamento lá fora, que levaram o Governo a aumentar a carga fiscal na economia.
O cenário é muito diferente no que toca aos empresários. O indicador de clima económico ainda está em terreno negativo mas recuperou em Maio para 0,1 pontos, depois dos 0,3 verificados em Abril.
O índice que acompanha as perspectivas do lado da oferta face à evolução da economia está a recuperar há já três meses consecutivos, o que, em parte, é explicado pela retoma do comércio mundial, que traz melhores perspectivas para as exportações nacionais.
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