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João Sentieiro foi presidente da FCT, entre 2006 e 2012.
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Nos últimos quatro anos, o investimento em Ciência e Tecnologia caiu quase 200 milhões, revela ex-presidente da FCT.
O investimento em Ciência e Tecnologia caiu em quase 200 milhões de euros, nos últimos quatro anos. Quem o diz é João Sentieiro, ex-presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que viu o orçamento daquela instituição encolher de 639 milhões de euros, em 2009, para 443 milhões de euros, em 2012. Em entrevista ao Diário Económico, João Sentieiro assegura, no entanto, que "esta redução no financiamento afecta, essencialmente, a componente internacional, não afecta praticamente nada as bolsas, nem a contratação de doutorados, nem os projectos".
A FCT está a tentar "encontrar soluções mais favoráveis, durante os próximos anos, de maneira a que Portugal não tenha de abandonar esses organismos, o que seria fatal para a nossa projecção e prestígio internacional". As parcerias internacionais com as universidades americanas (MIT, CMU e UT-Austin) também serão afectadas, "no sentido de não pôr em causa essas colaborações, mas de as manter com custos menores", acrescenta João Sentieiro. "Tentar-se-á que isso não tenha impacto nos contratos com as empresas nacionais", o que causaria algum desemprego, ressalva João Sentieiro. Para que isso aconteça, o que está a ser negociado é o pagamento "mais dilatado" das quotas que Portugal deve às agências internacionais, durante alguns anos.
O número de bolsas atribuídas pela FCT deve, porém, manter-se estável. Nos últimos cinco anos, o número de bolsas de doutoramento e pós-doutoramento atribuídas por ano rondou as 2.500. No entanto, João Sentieiro salienta que houve um crescimento nas bolsas da FCT. "Em 2011, financiávamos, na totalidade, 11.545 bolsas, porque todos os anos há concurso para bolsas, mas estas duram quatro anos, o que significa que, cada ano, estamos não só a pagar aquelas que atribuímos nesses anos, mas as que atribuímos nos três anos anteriores", explica. "Em 2012, o que prevemos é que seja um número semelhante", prevê ainda o ex-presidente da FCT. "Quanto à evolução nos últimos cinco anos, o total, em 2007, era de 7.958 bolsas, ou seja, de 2007 para 2011 multiplicámos por 1,5 o número de bolsas", destaca.
O número de doutorados também cresceu, nos últimos anos, fruto de uma política de "investimento nos recursos humanos", diz João Sentieiro. "O que nós verificámos, ao longo dos últimos dez anos, foi que, em 2000, eram cerca de oito mil doutorados, e em 2010 são mais de 20 mil. Isto significa uma multiplicação por 2,5", sublinha.
Todavia, João Sentieiro frisa também que "há muito que fazer ainda" no campo da ciência e tecnologia em Portugal. "Para Portugal, é fundamental continuar a investir na qualificação dos seus recursos humanos, que são a nossa principal riqueza", aponta. "Preocupa-me ver esta centragem que vemos na sociedade portuguesa em torno do défice financeiro, relegando para o esquecimento estes outros dois défices que são mais importantes ainda, que estão no âmago do que são as condições de sobrevivência de uma comunidade", opina João Sentieiro. Preocupado também com "um certo clima que aponta no sentido do empobrecimento", o ex-presidente da FCT vê no futuro sinais de uma fuga de cérebros que afecta os mais qualificados do país.
"Essa fuga será dramática, também pelo investimento feito nos últimos anos na formação de pessoas e na capacitação das instituições, que foi resultado de um esforço enorme dos portugueses, será um desperdício enorme", critica. João Sentieiro apela ainda a uma mudança no discurso público em relação à emigração: "Quando há estas promessas de empobrecimento e estes apelos a que as pessoas emigrem, as pessoas terão a tendência de ir à procura de oportunidades se não as encontrarem aqui. Provavelmente é preciso mudar o discurso e introduzir factores de esperança", sugere.
Parcerias internacionais: "Espero que continuem"
As parcerias entre as universidades portuguesas e três universidades americanas (MIT, CMU e UT-Austin) têm sido "uma experiência muito interessante para as nossas universidades e o nosso sistema científico", considera João Sentieiro. Por isso, o ex-presidente da FCT espera que elas continuem, mas ressalva que "essa é uma decisão do Governo". João Sentieiro lembra que "há já resultados visíveis, porque um dos programas que lançámos foi o Lisbon MBA e, muito recentemente, os ‘rankings' das duas escolas de negócios portuguesas que participam no mesmo subiram significativamente". No entanto, estas parcerias são um dos aspectos em que vai haver cortes no financiamento, devido à redução do orçamento da FCT. "Estamos também a negociar com as parcerias internacionais reduções de custos, no sentido de não pôr em causa essas colaborações, mas de as manter com custos menores", afirma Sentieiro.
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