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Análise BPI

Crescimento na zona euro acelera, mas nuvens aparecem no horizonte

João Vítor Sousa, do Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI  
03/09/10 20:00

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No segundo trimestre, o crescimento do PIB na zona euro acelerou, quer em cadeia, quer em termos homólogos.

A Alemanha, a principal economia da região, foi o principal motor desta recuperação, a qual se deveu a uma forte procura externa líquida, ainda que também se tenha assistido a um crescimento do consumo privado. Entre os países periféricos, Portugal é aquele que apresenta um maior ritmo de crescimento homólogo, destacando-se ainda a economia grega, que se mantém numa trajectória descendente, apresentado nova contracção em cadeia.

O crescimento da zona euro surpreendeu pela positiva no segundo trimestre. A variação do PIB em cadeia situou-se em 1% enquanto que a variação homóloga se situou em 1.9%. A procura interna foi responsável por este aumento, uma vez que a procura externa subtraiu 0.1 pontos percentuais (pp.) ao crescimento homólogo. Entre a procura interna, a variação de stocks teve um efeito positivo sobre o crescimento de 1.5 pp., logo seguido pelo consumo privado cujo contributo foi de 0.4 pp. O consumo público também apresentou um contributo positivo (0.2 pp.), enquanto que o investimento teve um contributo negativo (-0.2 pp.) ainda que se tenha assistido a uma variação em cadeia positiva. A procura externa líquida foi negativa devido a um crescimento das importações superior ao das exportações.

Por países, a Alemanha, a maior economia da zona euro, deu o principal contributo. O crescimento em cadeia do produto atingiu 2.2%, o valor mais elevado desde a reunificação alemã, e a taxa de variação homóloga acelerou de 2% para 3.7%. Embora exista um efeito de base significativo provocado pela forte queda da actividade entre o final de 2008 e o início de 2009, este crescimento é um claro indicador da capacidade competitiva da economia alemã no seio da zona euro, uma vez que o contributo dado pela procura externa voltou a ser positivo, quer em cadeia (0.8 pp.), quer em termos homólogos (1.4 pp.). Similarmente, a procura interna apresentou uma dinâmica positiva. O investimento expandiu-se 4.7% em relação ao primeiro trimestre, o que se traduziu num contributo de 0.8 pp. para o crescimento trimestral, dos quais 0.5 pp. se deveu ao sector da construção. O consumo privado também contribuiu positivamente para o crescimento, mostrando a primeira expansão em cadeia em quatro trimestres, o que permitiu um contributo de 0.3 pp. para o crescimento.

Entre os restantes países da zona euro, França e Itália, segunda e terceira economias da zona euro, respectivamente, viram o seu produto relativamente ao primeiro trimestre expandir e a taxa de variação homóloga acelerou para 1.7% e 1.1%, respectivamente. Entre os países periféricos, Portugal e Espanha tiveram um crescimento em cadeia de 0.2%, uma clara desaceleração face ao primeiro trimestre no caso português e uma ligeira melhoria no caso espanhol. Em termos homólogos, em Portugal, a taxa de variação decaiu de 1.8% para 1.4%, enquanto que em Espanha, o ritmo de contracção decaiu de -1.3% para -0.1%. Grécia e Espanha são os únicos países que apresentam uma taxa de variação homóloga negativa. A implementação de medidas de austeridade severas na economia grega provocou uma queda de 1.5% em cadeia do produto e fez com a variação homóloga caísse de -2.3% para -3.5%.

A performance da economia no primeiro trimestre reflectiu-se numa melhoria das perspectivas de crescimento tendo o BCE revisto em alta as suas previsões de crescimento para 2010 e 2011. Assim, o ponto médio das sua previsões passou de 1% para 1.6%, este ano, e de 1.2% para 1.4%, no próximo. Esta revisão passa também a reflectir um abrandamento do crescimento na zona euro. Tal reflecte: o final do efeito da reposição de stocks por parte das empresas; a implementação de medidas de austeridade pelos governos que afectaram o consumo privado devido ao aumento da carga fiscal e o consumo público devido aos cortes na despesa; e, ainda, um enfraquecimento da procura externa devido à desaceleração do crescimento global, em particular nos EUA e na China.

O desempenho económico da zona euro também reflecte as assimetrias regionais existentes na região. Os países da periferia, cujo modelo de crescimento da última década assentou no consumo através do acesso fácil ao crédito proporcionado pela entrada na zona euro, enfrentam agora a necessidade de reduzir esses níveis de endividamento e orientar o seu modelo de crescimento para as exportações. Para tal necessitam de recuperar a competitividade perdida, sendo que no curto prazo, existirá uma pressão para a diminuição dos custos unitários do trabalho, sendo, no entanto, necessário agilizar os mercados de trabalho e de produto para que a prazo se assista a uma melhoria do crescimento potencial destas economias.

 




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Comentários (6)

P , | 28/09/10 19:41
« Cuidado com a luz ao fundo do túnel, pode ser outro comboio.»


akon , ergens | 04/09/10 15:36
uma coisa tenho dizer trabalhar trabalhar tenho uma familia precisa de comer nao ando por ai a queixar-me que nao tenho trabalho muito trabalho as pessoas e que nao aceitam ou nao querem preferem o fundo desemprego ajuda do estado enfim portugal no estrangeiro fazem tudo mas em portugal se quiserem trabalhar é igual mas enfim portuguesitosssss


Bismute , Lisboa, Marrocos | 04/09/10 14:09
Os melhores nao se encostam a tarefas pouco produtivas, falso. O que acontece e' que sao cilindrados pelo sistema porque os focos de competencia que se geram no Estado ou nas empresas sao um perigo para os poderes e interesses dominantes.
Tambem com um ensino rasca nao pode haver seleccao de competencias, ainda por cima num sistema em que a cunha tudo gere.


para jorge , | 04/09/10 10:53
além disso tudo, o nosso mercado é totalmente monopolista, por isso não há a necessidade de ser competitivo...está tude bem dividido e bem definido e sempre que for preciso, lá vem a mão do estado dar uma ajudinha a esses "grandes" grupos economicos. neste país não há volta a dar-lhe e quem tentar é logo "solucionado".


Jorge , | 04/09/10 01:16
Como é que os países periféricos recuperam a competitividade perdida se nunca a conseguiram verdadeiramente. Não se recupera uma coisa que nunca se teve. Também, mais do que agilizar mercados (embora isso possa ser útil) é possuir competências no tecido produtivo de bens transacionáveis e isso existe muito pouco em Portugal. Somos um país essencialmente de serviços e com uma industria de pequena dimensão e maioritáriamente muito pouco competitiva. Se tivéssemos um melhor ensino e os melhores fossem para o mundo produtivo, mas não, mesmo os melhores encostam-se a empregos não produtivos. Não há curas milagrosas no curto prazo e estes economistas vão fazendo o seu trabalho, debitando números e estatísticas, pouco produtivas...


joao , porto | 04/09/10 01:05
boas noticias para a europa vamos deixar de comprar fora da europa nomeadamente na china e assim vamos cresçer ...


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