Comunidade
É indispensável constituir uma comissão independente de acompanhamento dos novos investimentos públicos.
Há quase um século, o professor de Finanças Armindo Monteiro escrevia, perante cenário de profunda crise no País: "na hora de torvos pesadelos que por nós passa (...), têm os povos sobretudo de ter em conta essas duas forças enormes sem as quais não há governo que governe nem projecto que triunfe: a economia e a responsabilidade". Apesar do tempo que nos separa destas palavras lapidares, a sua mensagem essencial permanece bem viva e necessária.
Na mais grave crise económica que nos afecta desde há décadas, a economia ressurge como a causa mais próxima e tangível dos nossos pesadelos. Paralelamente, sobressai a questão da responsabilidade como um imperativo cívico indeclinável em todos os tempos e, em particular, nestes de crise económica aguda.
Infelizmente, a responsabilidade e a responsabilização (ou a responsabilidade posta em prática) tendem a passar quase entre os "pingos da chuva", tão críticas como descuradas. Não por falta de leis, nem de alertas vários. Mas porque os agentes políticos tendem a iludir, com frequência, todos os deveres de responsabilidade que inerem ao seu estatuto. A ausência de uma cultura política e social que reforce a responsabilização dos agentes políticos em nada ajuda. No que se refere à efectivação das responsabilidades dos agentes políticos, os portugueses são pouco exigentes.

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