Diz-se que um optimista é um pessimista mal informado. Nos últimos dias, temos sido bombardeados com indicadores macro capazes de desalentar o mais inabalável dos optimistas que esteja minimamente informado sobre o actual estado da economia nacional.
A Comissão Europeia veio dizer que Portugal voltará a divergir da zona euro em 2010 e 2011 e a OCDE diz que a nossa economia tem um potencial de crescimento de apenas 1% entre 2012 e 2017, o terceiro pior registo entre os 24 países analisados pela organização. Pelo meio, ficamos a saber que o desemprego atingiu um novo recorde e que o défice afinal vai mesmo derrapar, obrigando o Governo a avançar com um Orçamento Rectificativo para se endividar ainda mais.
Um caldo explosivo, não recomendado à dieta dos optimistas, e onde vão fermentando as correntes mais catastrofistas como as de Medina Carreira. E qual é a receita para contrariar um crescimento anémico, um desemprego galopante e contas públicas descontroladas? Os chefes mostram a ementa.
Este fim-de-semana, o também economista Cavaco Silva falou em "mobilizar a capacidade criativa e inovadora dos portugueses " e "reforçar a cultura de inovação para aumentar a produtividade". O "profeta da desgraça", Nouriel Roubini, que na semana passada esteve em Lisboa, recomenda uma aceleração das "reformas para aumentar a produtividade", um aumento da "flexibilidade da economia" e uma maior "aposta na educação". A OCDE receita reformas estruturais "para promover a competitividade", não se esquecendo da "continuação da reforma na educação, para ajudar a aumentar o potencial de crescimento de longo prazo da economia". O último Boletim de Outono do Banco de Portugal também é um autêntico compêndio de receitas para sairmos da crise: redução do endividamento, necessidade de um investimento de qualidade através da incorporação das novas tecnologias e do conhecimento, qualificação dos trabalhadores e reforma do funcionamento do sistema de justiça.
Há receitas para todos os gostos, mas os ingredientes são, mais ou menos, os mesmos. Da mesma forma que não podemos fazer um cozido à portuguesa sem uma carne de vaca, uns enchidos, umas couves e uma orelha de porco, também não podemos dar a volta à crise sem reformas estruturais, sem inovação, educação, conhecimento, novas tecnologias, produtividade e contas públicas equilibradas. Cozinhando assim a retoma, com uma visão integrada, vamos criar condições para gerar mais riqueza e, se a Lei de Okun estiver certa, a economia voltará a criar empregos de forma sustentável. Caso contrário, se insistirmos em medidas económicas avulsas e ‘ad hoc', a retoma será uma mixórdia, a reboque da Europa, sem sal e cozida em banho-maria.
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Pedro Sousa Carvalho, Subdirector
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subcrevo na integra:
Quem é que anda a fazer medida ad-hoc há uns anos? Medidas? Dou-lhe algumas: 1) trabalhar mais em qualidade (terminar com os cafézinhos a meio do dia, com as reuniões intermináveis e inconclusivas, etc.); 2) impôr um limite máximo de derrapagem dos concursos públicos em 10%; 3) acabar com os subsidio-dependentes eternos, sejam eles os do Rendimento Mínimo, sejam eles os das empresas públcias e privadas que só vivem de subsídios há longos anos.
Importa rever o actual modelo de desenvolvimento. Habituámo-nos à ideia de que só os grandes investimentos e obras públicas são capazes de promover o crescimento, criar emprego e gerar riqueza. No entanto, creio que a economia pode - e deve - ser estimulada a partir de "baixo". Importa promover o "empreendorismo" e potenciar micro/pequenas/médias iniciativas empresariais.
Iniciativas que podem constituir uma simples actividade familiar de rendimentos extra/complementar a outra fonte de rendimento, ou, contribuir para a criação líquida de postos de trabalho. Gerar pequenos acréscimos na renda e no conforto familiar, numa actividade de subsistência pouco eleborada, ou, implicar grandes recursos e capitais, numa actividade inovadora de base tecnológica intensiva.
Com o desemprego e a pobreza a alastrar, vale sempre a pena levar em consideração os conceitos, princípios e conselhos do também economista, Muhammad Yunus.
Sem duvida.
Quem é que anda a fazer medida ad-hoc há uns anos? Medidas? Dou-lhe algumas: 1) trabalhar mais em qualidade (terminar com os cafézinhos a meio do dia, com as reuniões intermináveis e inconclusivas, etc.); 2) impôr um limite máximo de derrapagem dos concursos públicos em 10%; 3) acabar com os subsidio-dependentes eternos, sejam eles os do Rendimento Mínimo, sejam eles os das empresas públcias e privadas que só vivem de subsídios há longos anos.