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Crise

Corte no ‘rating’ força consenso político nacional

Luís Reis Pires  
28/04/10 00:05

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S&P cortou o ‘rating’ de Portugal e da Grécia. O custo da dívida disparou. Governo e oposição concertam posições.

Pegue-se na frase "matar dois coelhos de uma vez só", substitua-se os "dois coelhos" por "Portugal e Grécia" e fica-se com uma ideia do que a Standard & Poor's (S&P) fez ontem. A agência de notação financeira cortou o ‘rating' a Portugal - tal como o Económico avançou ontem em primeira mão - para o nível mais baixo que alguma vez tinha atribuído ao país. O ‘downgrade' afundou a bolsa e fez disparar o ‘spread' da dívida, aumentando o volume de um alarme que já toca há várias semanas, mas ao qual só agora a classe política começa a dar a devida atenção, com a oposição e o Governo a prepararem-se para reunir de emergência ainda esta semana.

Pior caminho ainda segue a Grécia, que ontem viu a S&P classificar as suas obrigações soberanas como ‘junk bonds' - que é o mesmo que dizer aos investidores para fugirem delas. O corte à Grécia chegou praticamente em simultâneo com o corte a Portugal, como que em jeito de resposta aos líderes europeus que têm insistido, nas últimas semanas, que não se pode colar os dois países.

O ‘rating' da República portuguesa atribuído pela S&P é agora de A-, revisto em baixa dois níveis do anterior A+ (era a pior classificação da dívida nacional desde 1992). A agência justifica o corte com a "estrutural fraqueza económica e orçamental" de Portugal, que deixa o país "a agonizar" para conseguir "estabilizar o relativamente alto nível da dívida". A S&P diz ainda que o PIB nacional vai estagnar este ano e que o Governo terá que "implementar uma consolidação orçamental superior e mais longa do que o previsto" no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC).

Apesar disso, o ministro das Finanças continua a apostar tudo no PEC, para acalmar os mercados. "O Governo já anunciou as medidas a tomar. O Conselho Europeu e a Comissão Europeia já exprimiram o seu apoio. O Governo já iniciou a execução de medidas. Temos que prosseguir sem hesitações", disse ao Diário Económico Teixeira dos Santos, para quem o corte da S&P "decorre do agravamento, provocado pela crise internacional, dos défices e das dívidas da generalidade dos países, em particular da zona euro".





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