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"Ninguém é obrigado a seguir as classificações" das agências de 'rating'.
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Para o economista Vítor Bento "maldizer as agências de rating é atirar ao alvo errado".
No blogue da Associação para o Desenvolvimento Económico Social (SEDES), instituição à qual presidiu, o economista Vítor Bento publicou hoje um ‘post' com o título "A Saga dos Ratings", onde deixa várias críticas às agências de notação financeira mas também às autoridades europeias, como o Banco Central Europeu.
Bento começa por afirmar que o corte da Moody's ao 'rating' de Portugal é "inesperado", "inconveniente" e suscita uma "sensação de injustiça", uma vez que "o governo - e não só - se mostra totalmente empenhado em cumprir e ultrapassar os objectivos acordados com a 'troika', tendo já mostrado esse empenho através de decisões difíceis".
Todavia, refere ainda o economista, centrar a discussão nestes aspectos e maldizer as agências de rating por estas consequências é atirar ao alvo errado. Porquê? "Ninguém é obrigado a seguir as suas classificações", explica Bento.
Descrevendo o modo de funcionamento das agências de notação, o conselheiro de Estado questiona: "Se se acha que as decisões das agências são inconvenientes e dificultam, desnecessária e desmesuradamente, os processos políticos (e financeiros) de ajustamento, porque é que as autoridades lhes dão a importância que dão e lhes permitem condicionar as suas próprias políticas. Mais concretamente, porque é que o BCE condiciona a sua política de financiamento à avaliação das agências de rating, em vez de usar a sua própria avaliação e/ou a das demais autoridades de supervisão?"
Nesse sentido, Bento acredita que "o problema não está nas agências de rating, está nas autoridades" e que uma das primeiras medidas que deveria fazer parte do quadro de excepcionalidade em que a "Eurolândia se encontra" deveria ser "precisamente tirar as agências de rating da equação dos decisores políticos (onde se inclui o BCE)".
Já Portugal apenas "deve-se concentrar a energia em fazer o que é preciso ser feito - estabilizar as finanças e promover a competitividade e o crescimento - e cerrar os dentes até que os resultados comecem a manifestar-se".
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