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Cavaco Silva diz que os 27 líderes europeus "têm de se demonstrar que existe uma verdadeira união económica e financeira".
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Cavaco Silva espera que a acção da Moody’s sobre Portugal sirva de “detonador” para a UE contrariar a influência das agências de ‘rating’.
"Não há o mínimo facto que justifique a decisão que foi tomada pela Moody's e por isso eu congratulo-me com as posições de repúdio um pouco por toda a Europa", afirmou hoje Cavaco Silva, que classificou o ‘downgrade' de Portugal como "caso um pouco escandaloso".
O Presidente da República argumentou que o "projecto da União Europeia fica mais fraco se os 27 chefes de Estado se deixarem condicionar por três agências de 'rating' norte-americanas" e sublinhou que espera que a descida do 'rating' de Portugal pela Moody's "seja detonador para a UE despertar e fazer o que lhe compete fazer".
Cavaco Silva frisou que o que está em causa não é um problema português "mas claramente europeu" e argumentou que o Governo português, que tomou posse há pouco tempo "começava a implementar o programa de assistência financeira" e "não há o mínimo facto que justifique a decisão tomada pela Moody's".
O Presidente da República português revelou também que já reuniu com Passos Coelho e com o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e também já falou com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
"Parece que este caso um pouco escandaloso, o caso português, foi como que um detonador que despertou os líderes europeus para o que têm vindo a fazer as agências de notação financeira", considerou ainda Cavaco Silva, para quem os líderes reagiram "no momento adequado" e a quem cabe agora demonstrar que existe "uma verdadeira união económica e financeira".
Foi esta terça-feira à tarde que a Moody's cortou em quatro níveis o 'rating' de Portugal para 'Ba2' com perspectivas negativas, nível considerado 'lixo'. Os dois factores apontados pela agência norte-americana na origem do downgrade foram, por um lado, "o risco crescente de que Portugal precise de uma segunda ronda de empréstimos internacionais antes de conseguir regressar ao mercado", explicou a Moody's.
E, em segundo lugar, os receios crescentes de que o País não consiga cumprir a meta de redução do défice, até aos 3% do PIB em 2013 face aos 9,1% no final do ano passado, tal como acordado com a UE e o FMI, no âmbito do pacote de ajuda no valor de 78 mil milhões de euros.
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